GENTE QUE FAZ - Fundação revoluciona Campo Mourão
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sábado, 01 de agosto de 2009
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Campo Mourão - Do meio de uma ilha cercada de soja por todos os lados, surge uma revolução. Jovens passam a investir em formação técnica e tornam-se empreendedores, empresários mudam de ramo e produzem equipamentos com tecnologia inovadora a nível mundial e uma cidade cuja economia é baseada na agricultura torna-se referência na produção de equipamentos médicos e odontológicos.
A ilha em questão é Campo Mourão, na Região Centro-Oeste do Paraná. A definição é do empresário Ater Cristófoli, criador da Fundação Educere e das condições para desenvolvimento do Arranjo Produtivo Local (APL) da Saúde, com base na cidade. As iniciativas partiram de sonhos e necessidades do idealizador. Protético e vendedor de material odontológico, ele fundou a empresa Cristófoli Biossegurança em 1991, fabricante de autoclaves e lavadoras de ultrassom, entre outros equipamentos.
O empreendimento cresceu, assim como a necessidade de contratação de mão de obra qualificada. O problema é que ainda hoje não existem cursos superiores ou técnicos em engenharia no município. Para capacitar e contratar funcionários, Cristófoli decidiu agir. A solução encontrada foi a criação, em 1997, da Fundação Educere, que em latim significa ''fazer brotar de dentro.''
As aulas de eletrônica e desenho industrial, no contra-turno escolar, eram bancadas pela empresa de Cristófoli. E os alunos, de 13 a 17 anos, vieram de escolas públicas, convidados a participar gratuitamente dos cursos. O conceito empregado, no entanto, foi completamente diferente das instituições de ensino tradicionais. ''Comecei uma escola sem chamadas e sem provas, somente para um grupo seleto de alunos. Isso só foi possível porque não tive apoio do poder público. O que parecia ruim foi o nosso diferencial. Tornou-se uma escola livre'', explica.
O projeto reuniu gente talentosa, apaixonada pelo negócio e com objetivo definido: desenvolver produtos na área da saúde. A inciativa, a partir de então, passou a ser um centro de pesquisa e desenvolvimento, que tornou-se a base para a criação da incubadora de empresas - embrião do APL da Saúde.
Os laboratórios, de acordo com Cristófoli, são as salas de aula. Hoje há teste seletivo para ingressar na fundação. Os estudantes aprendem fazendo, desenvolvendo projetos e produtos. O diferencial é o foco prático e o incentivo ao empreendedorismo. E o resultado: dezenas dos cerca de 300 jovens que passaram pela Fundação Educere hoje estão empregados ou são proprietários de empresas do ramo.
Atualmente, a fundação está organizando cursos em moldes mais tradicionais. O objetivo é verificar se vai aumentar o número de alunos aproveitados nas empresas. ''O grande ganho dos que passaram por aqui é justamente a consciência de que a vida profissional de cada um está na mão deles e não da escola'', avalia o fundador da Educere.
Ele acrescenta: ''Todo investimento feito em educação gera retorno financeiro. Tenho no departamento de Pesquisa e Desenvolvimento oito funcionários que eu não teria na cidade. Pago bem para eles e ainda assim é muito mais barato que trazer profissionais de fora. Tem retorno garantido.''


