Gente da terra também vai bem na aula
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de dezembro de 1997
Da Redação 
Cerca de 600 alunos que participam do Programa de Alfabetização de Jovens e Adultos dos Assentamentos de Trabalhadores Rurais estão fazendo as provas do Exame de Equivalência, do Departamento de Ensino Supletivo da Secretaria Estadual de Educação. E, no último dia 7, todos os alunos do Curso de Ensino à Distância participaram da quarta e última etapa de avaliação tanto para 1º como para 2º graus.
Pela segunda vez este ano, os alunos que moram em assentamentos de trabalhadores rurais devidamente regularizados no Paraná fizeram provas, tendo a oportunidade de se habilitar para receber o certificado de conclusão da 4ª série do 1º grau. O número de estudantes interessados em fazer os exames foi considerado muito representativo pelos coordenadores do programa.
Nas provas realizadas no final do primeiro semestre, 116 alunos fizeram o teste e 106 foram aprovados. O resultado surpreendeu o Departamento de Ensino Supletivo da Secretaria Estadual da Educação, pois representa um índice positivo de mais de 90%. Os resultados nos exames realizados agora serão divulgados até o final do ano.
O programa, também chamado de Gente da Terra, é resultado da parceria entre a Secretaria Estadual da Educação e a Associação Nacional de Cooperação Agrícola do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) do Paraná. Desde o início do projeto, em 1995, foram implantadas 100 turmas em 25 municípios onde há assentamentos regularizados. São 2 mil alunos começando ou retornando aos estudos, todos com mais de 14 anos.
Além dos jovens e adultos, mais de 15 mil crianças, filhos de trabalhadores rurais sem-terra, estudam nas 211 escolas instaladas em 128 acampamentos. Com isso, mais de 7 mil famílias estão sendo beneficiadas. Os professores que dão aulas para crianças de 1ª à 4ª séries também participam do Programa de Habilitação de Professores Leigos, já que a maioria deles não tem qualquer capacitação profissional.
As aulas são dadas por monitores (professores) escolhidos pela comunidade e que conhecem a realidade do acampamento onde atuam. Eles são referendados pela Secretaria de Educação e, 70% sendo leigos, participam do Programa de Habilitação ou cursam o supletivo municipal.
ContinuidadeNo início, o programa se propunha apenas a alfabetizar as pessoas, mas agora estimula os participantes a buscar o certificado e a continuidade dos estudos. Os índices de aprovação são altos e os assentados que prestam as provas e são aprovados estão dando prosseguimento à sua formação, conta o coordenador do programa, Leonildo Brustolin.
A Secretaria da Educação - informa - já estuda a possibilidade de implantar salas de 5ª à 8ª séries nos assentamentos. Depois da implantação do projeto houve uma conscientização de que só a alfabetização não é suficiente. É preciso também a certificação, diz Brustolin.
Todo o material didático utilizado é proposto pela Secretaria de Educação, mas o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra tem autonomia e pode encaminhar sugestões para definir os livros que serão adotados e igualmente outro tipo de material que julgue necessário.
Na prática, jovens e adultos têm acesso a todo o conteúdo oficial estabelecido pelas disciplinas previstas nos currículos de 1ª à 4ª séries, mas cabe ao monitor da turma a escolha da melhor maneira para ensinar determinado assunto - com a mesma liberdade de qualquer outro professor.
A definição sobre o melhor momento para o aluno fazer a prova depende também do monitor, mas a vontade do aluno prevalece, pois ele precisa se sentir preparado para fazer o teste.


