Genética transforma a cafeicultura
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sábado, 10 de dezembro de 2011
Carolina Avansini <br> Reportagem Local 
A biotecnologia aponta um novo caminho para a tradicional cafeicultura que, no passado, consagrou Londrina como ''capital mundial do café''. Através da manipulação genética, pesquisadores do Iapar buscam desenvolver variedades que aumentem a qualidade da bebida e, ao mesmo tempo, viabilizem a produção diante das mudanças climáticas que se configuram como realidade para a produção agropecuária.
O objetivo de estudos é melhorar cada vez mais o produto, consolidando, em todo mundo, as características diferenciadas do ''café do Paraná''. Uma das linhas de pesquisa desenvolvida por Iapar, em parceria com o grupo francês Cirad, deve resultar em plantas com maior concentração de açúcar que renderão bebidas de qualidade diferenciada. A insituição busca consolidar, também, variedades resistentes à seca, capazes de garantir boa produção mesmo em tempos de aquecimento global.
A ameaça das geadas - que dizimaram cafezais paranaenses e mudaram o rumo da economia regional - pode ter solução em um futuro próximo. Um gene que imprime às plantas a resistência ao frio está sendo testado na cana-de-açúcar e, em breve, poderá ser testado também no café.''A biotecnologia viabiliza a produção sustentável do café e com menores riscos em relação ao clima'', explica o pesquisador Luiz Gonzaga Vieira, do Iapar. Apesar das características de adaptação ao Norte do Paraná, a pesquisa visa atender cafeicultores de todo o mundo. ''Para sermos competitivos, temos que ser globais'', ressalta.
Vieira lembra que a cultura, tradicionalmente, demanda muita mão-de-obra, o que pode inviabilizar a produção em tempos de escassez de trabalhadores. ''A biotecnologia pode facilitar o manejo e, assim, viabilizar a cafeicultura mesmo com a escassez de trabalhadores.''
Citrus
Na pesquisa de novas tecnologias para produção de citrus, o Iapar se destaca como primeiro laboratório do mundo a fazer transferência genética com tecidos fisiologicamente maduros. Na prática, significa que as plantas começam a produzir frutas em dois ou três anos, diminuindo o tempo necessário para testar a viabilidade das variedades desenvolvidas pelos pesquisadores.
Através do uso da biotecnologia, o instituto busca desenvolver variedades resistentes à seca, ao frio e a doenças bacterianas como cancro cítrico e greening. ''São doenças que aumentam o custo de produção'', ressalta o pesquisador Eduardo Carlos.
A mesma pesquisa trabalha um gene da própria espécie que aumenta, nas frutas, a presença de um aminoácido com propriedades antioxidantes, o que melhoraria a qualidade do suco e traria benefícios à saúde do consumidor. ''As plantas estão prontas para serem testadas em campo, estamos pedindo permissão à CTNBio para testes controlados'', revela.
Outra novidade são os porta-enxertos que possibilitam a produção de plantas de porte mais baixo. A tecnologia, além de facilitar a colheita, permite o plantio de maior volume por hectare, melhorando o aproveitamento da terra. ''O experimento é inédito para a espécie 'Flying Dragon', que utilizamos. O objetivo é que a variedade esteja disponível em dez anos, com características de resistência à seca e a doenças.''
Menos tradicional que o café, a cultura de citrus também é encarada como excelente opção para os pequenos produtores, que passam a contar com a possibilidade de investir numa cultura perene, com boa lucratividade e mercado tanto na indústria como para venda de frutas in natura.
''A agricultura precisa ser pensada em termos de agregação de valores. Londrina tem vocação para possibilitar esse crescimento por meio da ciência e da tecnologia'', consideram os dois pesquisadores.


