A marcha carnavalesca foi uma criação típica de compositores da classe média brasileira da década de 20. Assim como o samba, o ritmo da marcha já havia aparecido no fim do século 19 - em composições rotuladas como tango, canção carnavalesca, fadinho etc - mas foi apenas quando a massa crescente das famílias aderiu aos bailes de Carnaval é que a marcha de Carnaval encontrou seu lugar na história.
Até pelo menos 1920, as músicas não eram feitas exclusivamente para o Carnaval. Eram as mesmas de todo o ano, e só quem produzia com propósitos carnavalescos eram anônimos compositores de grupos, ranchos, blocos e cordões quase sempre fazendo uma auto-referência.
Foi através de Sinhô, com a composição ‘‘O Pé de Anjo’’ (um plágio da valsa francesa divulgada no Brasil como título ‘‘Geny’’), que a marcha acabaria se fixando como o segundo gênero de música até hoje mais constante do Carnaval brasileiro.
Na década de 30, o frevo pernambucano começou também a espalhar-se pelos carnavais de todo o Brasil e, da Segunda Guerra em diante, a crescente ascensão das escolas de samba acabaria lançando também uma novidade: os sambas de enredo.
O enredo veio dos bailes de máscara, que tiveram sua origem na Europa, durante a Idade Média. Chegaram ao Brasil por duas rotas. A primeira foi a africana, de onde os negros ‘‘contrabandearam’’ inconscientemente a semente do Carnaval. A outra, foi a rota portuguesa, de onde vieram o ‘‘entrudo’’ e a tradição do Zé Pereira.
Essas contribuições garantem que o Brasil até hoje seja considerado o ‘‘País do Carnaval’’. Vale, portanto uma máxima do Barão do Rio Branco: ‘‘Existem, no Brasil, apenas duas coisas organizadas: a desordem e o Carnaval’’. ( A.M.J.)
Pesquisa: Samira Prioli Jayme

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