A última peça chegou à coleção em 2001, um ninho de ovos fossilizados, e fica logo na entrada da sala. "Cheguei na alfândega no aeroporto aqui de Curitiba e perguntei: ‘o que você vai fazer quando aparecer uma caixa com ovos de dinossauro?’ O fiscal me disse que nunca tinha ouvido falar de uma coisa assim", lembra Ragnhild. A maioria das peças está disposta em seis cristaleiras. Na primeira, um conjunto com 37 ágatas, compradas em muitas viagens a Soledade (RS). Na segunda, diversos minerais - de prata, cobre e ouro a alguns radioativos, com direito a um medidor de radioatividade. Sobre os grãos lunares com a inscrição "Apollo 15", Ragnhild conta que foi presente de um geólogo norte-americano que recebeu o conteúdo da Nasa.
A terceira cristaleira, menos evidente, de arqueologia, guarda um vidro romano e peças etruscas. Limpar tudo dá um baita trabalho, o que, Ragnhild afirma, é chato, pois não tem a mesma graça sem o esposo. Citando um livro o qual não se recorda o nome, ela lembra que os mortos pesam pelas palavras não ditas. "E Guido pesa muito pouco. Foram 40 anos muito intensos e sempre falamos de tudo", esclarece. E ensina: sempre elogiem uma mulher. "Romântico, Guido falava, mesmo em público, ‘você é o sangue que corre em minhas veias, o ar que respiro"’, recorda.
Nascido na mesma região do Norte da Itália que o cineasta Federico Fellini, Guido era, na opinião da esposa, explosivo. "Mas sabia pedir desculpas. Foi um bom casamento. Uma relação é boa quando vivida por dois egoístas." Ragnhild tornou-se conhecedora das áreas que abrangem a coleção. Nunca comprou roupas de grife - costura todos os seus vestidos pensando nos seus mais de 35 colares. "Com as peças nunca gastamos o que não tivemos." Já receberam algumas ofertas, mas o destino da coleção ainda é uma questão em aberto e um dos temas da continuação da reportagem na página 3. (R.U.)

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