GELADEIRA - Com rodinhas nos pés
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quarta-feira, 01 de abril de 2009
Rafael Urban<br>Equipe da Folha 
Chiris Gomes, 41, vendeu a geladeira cromada e, do apartamento de São Paulo, cidade em que morou por 17 anos, trouxe apenas a cama. Hoje, vive por estas bandas uma vida cigana, de galho em galho, geladeira em geladeira. ''Não tenho uma, tenho várias. Eu me adapto fácil'', define. Na da casa de Sônia, sua mãe, parada de alguns dias na semana, fica uma das típicas. Leite, frutas, carne, suco, iogurte. ''Pode chegar a qualquer hora que tem tudo'', resume a filha. Geladeira que se preste, na opinião dela, que é atriz e também cantora, não pode ficar sem maçã - que faz bem para sua voz.
''E tomar água gelada não faz bem'', explica, consciente. Cerveja gelada, por outro lado, não pode faltar. E tem sempre na casa dos amigos, cujas geladeiras também são um pouco suas. A única que só tem vinho é a da casa que a recebe em São Paulo - Chiris diz que seus pés têm rodinhas, que a levam a todo tempo para diferentes lugares.
A da casa no Tatuapé ganhou a alcunha de saudável. As donas são adeptas da Medicina Ayurvédica e lá não faltam verduras. A marca da geladeira, Chiris não recorda, mas o conteúdo, ela acredita, é capaz de renovar qualquer um. A relação de proximidade com o eletrodoméstico é clara: ''Abro-o sem constrangimento. Como tenho a intimidade, já vou lá''.
A casa do artista plástico Marcelo Scalzo e da atriz Christiane Macedo, amigos incondicionais, serviu de palco para a peça ''As Ondas'', na qual as duas contracenaram no Festival de Curitiba. A geladeira do casal é mais uma das que fazem parte do seu dia-a-dia. ''Tem escabeche'', diz. ''E é outra que só tem cerveja.'' A da diretora Sandra Pires, também do teatro, é a mais 'junk food' - ou menos saudável - das citadas, sendo ''refrigerante'' a primeira palavra que lhe vem à mente.
Tem a da Vanessa e do Lori, que por causa da pequena Laura virou casa de criança. ''Sempre tem coisas para comer, sucos, chás, muita cerveja...''. Chiris, Christiane de batismo, avisa que já está acumulando outras geladeiras. Conheceu Bianca, personagem da última coluna, graças à Venda - Armazém e Boteco, pois é amiga há muitos anos de Veridiana, a outra sócia. Sobre a geladeira da semana passada, Chiris é enfática. ''É bem apetitosa.'' Dali saíram ingredientes para muitas pizzas e panquecas que comeu.
Ela volta e meia colabora com frutas, café, requeijão. Por enquanto, não tem planos de estacionar suas rodinhas. Mas, sim, um dia quer ter uma geladeira família, casa no campo, com gramado para o cachorro e espaço para brincar com as crianças - não tem filhos, mas adora os pequenos. Branca ou prata, de marca ainda não escolhida. Com ímãs coloridos ou pintada por um amigo artista plástico. Sua geladeira seria grande para guardar cervejas para tantas visitas, algo como um abre e fecha, dividida por muita gente. Se ela tomaria umas geladas também? Tomaria. ''Mas gosto mesmo de vinho tinto seco'', conclui.


