Gastronomia em versão avançada
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quarta-feira, 20 de julho de 2016
Juliana Gonçalves<br>Especial para a FOLHA 

Quando a chef Bruna Vendrametto começou sua graduação no curso de Gastronomia, em 2012, fazia apenas oito anos que o curso tinha o reconhecimento do Ministério da Educação (MEC) e já havia cerca de 100 escolas de gastronomia de nível superior espalhadas pelo Brasil. Em uma década, a área explodiu como carreira universitária e isso se deve, em boa parte, à consolidação da profissão. A TV trouxe mais visibilidade ao cozinheiro. Diante dessa demanda, surgem agora os cursos de pós-graduação na área.
Foi o que fez Bruna. Em 2014, tão logo concluiu a graduação na Unopar, ela já se inscreveu na pós em Gastronomia Internacional e Contemporânea, na UniFil. "Eu acredito que conhecimento nunca é demais e quis fazer a pós para ter novas experiências, contato com novos professores, novas técnicas. Na gastronomia o tempo todo tem novidades. Nas aulas da especialização conheci ingredientes que nunca tinha visto", conta.
Hoje Bruna tem um ateliê de gastronomia em Arapongas e trabalha com bolos e doces finos. Recentemente, ela participou do reality show "Que Seja Doce", do canal pago gente. Animada com a profissão, ela avisa que não pretende estacionar sua formação e cogita até se tornar professora. "Eu não gosto de ficar parada. Hoje, faço cursos rápidos para me aperfeiçoar, mas se abrir alguma nova especialização, talvez algum curso específico em confeitaria, com certeza vou fazer."
Os números do Censo da Educação Superior, feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa (Inep), mostram que a gastronomia foi uma das áreas que mais cresceram entre os cursos superiores, tanto em número de vagas quanto de alunos. Entre 2005 e 2014, a quantidade de escolas saltou de 25 para 115. O número de novos alunos mais que triplicou, de 2.967 para 9.633.
Apesar de parecer um curso específico para quem fez a graduação em gastronomia, a especialização tem atraído também profissionais de outras áreas. "Já na segunda turma da especialização, que existe desde 2011, tivemos administradores de restaurantes, profissionais de turismo e hotelaria, nutricionistas", conta uma das coordenadoras da especialização em Gastronomia Internacional e Contemporânea da UniFil, Claudia Diana de Oliveira.
Segundo ela, a especialização serve para que os chefs trabalhem as técnicas com mais propriedade. "Na pós eles aprimoram as técnicas que conheceram na graduação e aprendem outras mais avançadas. Trazemos professores de fora, que se especializaram fora do Brasil e hoje trabalham em grandes centros, como Curitiba e São Paulo, onde a realidade da gastronomia é outra", explica.
MERCADO
E o mercado já começa a olhar para esses profissionais com outros olhos, valorizando a formação acadêmica. Cláudia, que também coordena o curso de graduação, conta que os alunos das primeiras turmas abertas o curso teve início na UniFil em 2009 tinham dificuldades para conseguir estágio nos restaurantes da cidade. "Hoje, são eles que nos procuram para ter estagiários. Perceberam que não somos apenas cozinheiros."
O profissional formado em gastronomia, segundo ela, é capacitado para atuar em várias frentes, da organização de banquetes ao planejamento de marketing. Logo, o curso é feito de aulas práticas e teóricas.


