GASTRONOMIA
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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Flora Guedes<br>Equipe da Folha 
Refugiado da guerra, o italiano Bartolomeu Vergagno escolheu Curitiba para morar e recomeçar a vida. Resolveu abrir uma loja de chocolates com uma fabriqueta própria nos fundos, na glamourosa Rua XV de Novembro. Era o ano de 1930 quando ele batizou o negócio de Chocolates Icab (Industria Cioccolato ed Affini Bologna). Com o fim dos conflitos, o italiano decidiu voltar à terra natal, deixando para trás a loja, uma clientela fiel e os segredos da receita do chocolate que se tornaria um dos mais tradicionais da cidade.
A Chocolates Icab foi comprada, em 1947, pela família do empresário Antonio Muffone, que ainda muito jovem tocou a loja e a fábrica. Há 14 anos, ele repassou a direção dos negócios para o filho Luigi. ''Todos os chocolates são preparados com os mesmos ingredientes, receitas e processo artesanal há 78 anos. As trufas, o bombom de damasco e de cereja fresca e a Preferida (chocolate com recheio de licor de uva) são nossos clássicos. Vendemos milhares de unidades por ano'', informa Luigi Muffone, que é sócio-diretor da fábrica.
Hoje, a Chocolates Icab possui cinco lojas de rua, uma delas, na Augusto Stellfeld, é onde está sediada a fábrica. ''O segredo é o nosso processo artesanal de produção. Fazemos os chocolates uma a um. A nossa matéria-prima é super selecionada, nossos fornecedores trabalham conosco há anos assim como nossos funcionários'', revela o empresário, acrescentando que tem empregados com 30 anos de casa.
''Temos a responsabilidade grande com a qualidade. O cliente não pode se decepcionar com nosso chocolate porque vendemos produtos de qualidade superior e cobramos mais caro por isso. A marca por si só não vende'', avalia Luigi, que tenta descrever a peculiaridade do chocolate Icab. ''Os fregueses dizem que nosso chocolate ao leite, assim como o branco, é leve e não deixa gordura na boca, se desmancha com facilidade'', detalha.
O aroma de chocolate que sai da fábrica e invade a loja da Augusto Stellfeld torna ainda mais tentadora a variedade de bombons e doces expostos. Detalhe que a torna a loja campeã de vendas, certamente. A Icab tem mais de 70 produtos, dentre barras de chocolate, trufas, bolachas cobertas com chocolate e 32 tipos de bombons. Além dos famosos bombons de damasco, ameixa, cereja e laranjinha, recentemente a marca criou um com minifigos. Há seis meses, lançou o chocolate com 70% de cacau e uma linha de chocolates diet.
Seguindo uma tendência europeia elaborou o maravilhoso gianduia, que é o chocolate com avelã na massa. ''Somos muito cuidadosos ao lançar novos produtos. Para o Natal, produzimos, pela primeira vez, um panetone exclusivo com pedaços de chocolate ao leite cuja receita foi testada durante um ano e meio até ser aprovada. A gente queria qualidade na massa tradicional, que fosse um panetone bem molhadinho e mais rico que o normal'', conta Luigi.
Tanto esmero teve como retorno o sucesso. A Icab produziu um lote de 2,2 mil panetones que acabou antes do dia 21 de dezembro. Desde o começo de janeiro, a fábrica se dedica também à produção dos tradicionais ovos de páscoa decorados como ninhos de pombinhas. A meta é produzir 10% a mais que o ano passado. Uma curiosidade são os ovos gigantes que pesam exagerados seis quilos de chocolate ao leite e são limitados a dez unidades. Deve custar cerca de R$ 600,00. Segundo Luigi, quem compra os mega-ovos tem chocolate para o ano inteiro.


