Antes de decidir-se definitivamente pela gastronomia, a chef Kika Marder formou-se em Publicidade e Propaganda. Não é a toa que os pratos que ela prepara têm muito mais do que uma preocupação com o sabor: têm uma apresentação impecável. Nascida no Rio de Janeiro, a curitibana de coração veio para capital paranaense antes de completar um ano. Passou a infância na cidade e nela se formou, em 1998. Mas logo no começo da vida profissional, percebeu que tinha paixão por uma outro setor: a culinária.
Foi assim que começou a trabalhar numa empresa da área de alimentos, desenvolvendo pesquisas de mercado. ''Mas estava muito mais interessada em como os produtos eram preparados'', brinca. Em 2004, depois de acumular alguma experiência na área publicitária, decidiu investir no que já estava se desenhando como um sonho. Matriculou-se no curso de chef do Centro Europeu e logo conquistou um estágio em um dos restaurantes mais requisitados - e premiados - da cidade, o Boulervard, conduzido pelo aclamado chef Celso Freire.
Durante três anos ela aprendeu na prática as técnicas gastronômicas na cozinha do restaurante e logo depois foi buscar inspiração (e estudos) em um dos países considerado berço da culinária, a França. Kika estudou no Instituto Paul Bocuse, em Lion, e fez outros cursos de aperfeiçoamento em Paris.
Quando voltou da peregrinação de estudos, seu lugar no Boulervard ainda estava reservado. ''Foi importante voltar e praticar tudo o que havia aprendido'', conta. Pouco tempo depois, Kika engravidou do seu primeiro filho, hoje com nove meses. O tempo de gestação também foi necessário para gerar outro sonho: o de abrir o próprio negócio.
Assim surgiu o Sel et Sucre, ''sal e açúcar'' em francês, um charmoso bistrot recém-inaugurado e que ganha cada vez mais adeptos pela proposta diferenciada. Com poucos - e aconchegantes -lugares disponíveis no local, a proposta da casa é vender comida congelada, muito além das massas que o público está acostumado. São opções elaboradas, como confit de pato com molho de laranja e outras receitas formatadas em porções individuais. ''A idéia é que as pessoas possam brincar de chefs em casa. As receitas estão quase prontas, mas é preciso finalizá-las'', explica. Nada mais apropriado em uma área que está ganhando ares de arte.
As embalagens dos produtos e a decoração da casa também seguem essa premissa artística. Com a assinatura da agência Pulp Idéias e Conteúdos, as embalagens, em tons de rosa, marrom e branco, são quase um presente. A preocupação no conceito e designer das embalagens, além de receitas que saem do lugar comum, vai ao encontro do que Kika acredita ser tendência: ''As pessoas estão mais gourmets, querem apreciar um bom prato, mas não têm tempo de preparar, assim como às vezes falta tempo para ir a um bom restaurante''.
Mas quem não abre mão de acompanhar todo o processo de preparo do prato, Kika ensina aos leitores da FOLHA uma das opções do ''Prato do dia'' que serve no bistrot. Um risoto que pode ser servido em cinco minutos, se os ingredientes estiverem pré-preparados (como acontece no restaurante), ou em menos de uma hora se for feito em casa, como mostra receita. Acompanhe.

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