Curitiba - A história e a gastronomia tem uma ligação intrínseca, mas para a uma jovem chef de cozinha, essa relação é ainda mais importante. Gliciara Bueno deixou a faculdade de História, em Curitiba, para se dedicar somente à cozinha. O resultado é a criação de pratos que vai além do sabor, são carregados de pequenas e grandes histórias que dizem respeito tanto à origem do prato (e da descendência da comida) quanto às novas particularidades que permeiam cada receita.
Gliciara imprime a cada prato que cria, uma leitura única. Como ela desenvolveu o cardápio de um dos mais requisitados locais da cidade atualmente, a Cantina Jacobina, provar cada um deles é passear por um conjunto de causos saborosos.
São mais de 30 pratos diferentes que foram criados durante os cerca de seis meses de reforma da cantina, uma casa histórica no Juvevê que foi transformada, aos poucos, na segunda ''casa'' do proprietário Délio Canabrava.
A reforma da casa de madeira, recheada de badulaques que dão uma aspecto original ao local, serviu de cenário para o desenvolvimento do menu, essencialmente italiano. A cantina foi inaugurada há apenas três meses, mas já virou endereço recomendado principalmente pelo custo benefício.
''Enquanto os pedreiros reformavam a casa, a gente testava as receitas. As reformas da cantina e do cardápio foram acontecendo simultaneamente'', conta Gliciara.
Filha de mineiros, nascida em Cascavel, ela sempre teve contato com a cozinha, mas foi em 1998, quando estava começando a Faculdade de História em Curitiba que decidiu trocar a vida acadêmica pelas panelas e fogão. Fez um curso de cozinheira no Senac e começou do zero. ''Meu trabalho é empírico. Fico envolvida com a emoção da cozinha'', conta.
Há dois anos começou a trabalhar no Jacobina, um simpático boteco também no Juvevê, que inclusive está concorrendo com outros 19 bares no concurso Boteco Bohemia que vai destacar os melhores petiscos dos botecos curitibanos.
E foi do boteco que surgiu a proposta da cantina e daí uma maneira que Gliciara encontrou de unir, ainda mais, a história com a gastronomia, já que o espaço prioriza as receitas italianas.
O gnhocchi criado por ela, por exemplo, une a tradição italiana com o gostinho brasileiro. ''Os brasileiros gostam muito de carne, então unimos as duas coisas e o prato tem agradado'', revela.
Para desenvolver a receita, ela lançou mão de uma outra paixão brasileira: a carne suína. O prato, que pode ser feito em casa (com dedicação), tem sido uma das atrações da casa. Mistura ervas delicadas como alecrim e salvia com o sabor inconfundível da carne de porco. O molho dá o toque especial às pequenas bolinhas de batata, italianas na sua essência e cosmopolitas na predileção. Confira a receita nesta página.

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