Não existe lugar que comporte de forma tão harmoniosa o popular e o requintado, lado a lado. Nem que ofereça legumes e verduras mais fresquinhos. O ambiente caloroso somado às tentadoras e quase infinitas ofertas de alimentos hipnotizam o consumidor. É difícil não gastar, pelo menos, uma manhã conferindo, escolhendo, cheirando, experimentando e comprando produtos no Mercado Municipal. Além do trivial arroz com feijão, o mercado oferece produtos que em nenhum outro endereço comercial da cidade é possível encontrá-los.
Numa manhã de sábado, um dos dias mais concorridos para se visitar o Mercado Municipal, as lojas ficam abarrotadas de gente. Como a charmosa Bon Vivant, que funciona desde 2004. A loja vende desde conservas, chutney e embutidos, a pães especiais e 77 tipos de queijos. Mascarpone, Pecorino Romano, o suíço Gruyère ou mesmo o queijo da marca Serra da Estrela, produzido no lugar de mesmo nome, em Portugal, e cujo quilo custa valiosos R$ 260. À temperatura ambiente, o queijo tem textura de requeijão.
''Meus clientes são fiéis e da classe A e B. Eles vêm aqui uma vez por semana e geralmente têm uma idéia do que querem levar. Me pedem esclarecimentos para saber a origem dos produtos, características, com o que combinam'', conta a dona do estabelecimento, Flávia Rogoski, informando que itens bastante procurados no Bon Vivant são as linguiças alemã e húngara e o presunto cru e com osso apoiado no suporte de madeira (vendido a R$ 74, o quilo).
Do lado de fora do mercado, no Empório do Queijo, todo tipo de mantimentos é comercializado, além de uma infinidade de ervas, produtos mais procurados na casa. Espinheira-santa, assapeixe, tarumã, urtiga, douradinha, dente-de-leão, tomilho, alecrim, picão, sálvia, camomila, guiné. A escolha cabe a necessidade do freguês. Lá, um produto popular garante a alegria de muita garotada: o mandio pã, uma espécie de macarrão aromatizado e colorido que depois de frito, em gordura bem quente, fica semelhante ao salgadinho ''baconzitos''. O quilo sai por R$ 4,50.
A Prefeitura Municipal de Curitiba estima que 72 mil itens são comercializados no mercado, onde circulam 42 mil pessoas, por semana. Numa área total de 9,6 mil metros quadradados estão distribuídos 102 boxes de hortifrutigranjeiros e mais 232 lojas. Um dos estabelecimentos mais recentes é o Empório Gourmet Francisca, que oferece produtos específicos para chefs de cozinha ou pessoas que gostam de se aventurar na cozinha de casa, nos finais de semana, para preparar pratos caprichados.
Nas prateleiras da loja estão distribuídos 160 tipos de especiarias, dentre elas o açafrão (estigma). Só para se ter uma idéia, o grama deste condimento custa o mesmo peso do grama do ouro. Um pacotinho com 0,3 grama é vendido a R$ 11. O empório também vende massas artesanais, azeites e cafés especiais e a trufa (espécie de cogumelo), uma iguaria européia encontrada na raiz do carvalho por cachorros treinados. O potinho com 25 gramas da trufa custa R$ 70.
Um produto que chama a atenção no empório é o arroz preto, cereal cultivado na China há mais de 4 mil anos. Considerado afrodisíaco, era alimento exclusivo do imperador e por isso, batizado de ''Arroz Proibido''. ''Pesquisadores do Instituto Agronômico de Campinas levaram 12 anos para conseguir adaptar a cultura em solo brasileiro, variedade batizada de IAC 600'', explica Christian Sigel, dono do empório, dizendo que o arroz preto (R$ 30 o quilo) tem sabor acastanhado e possui 30% de fibra e 20% de proteína a mais do que o arroz tradicional.
Oriente - Nas lojas de produtos importados do Oriente (Japão, Coréia, China, Tailândia e Indonésia), ou o consumidor pede auxílio a um vendedor ou segue a intuição na hora da compra. Isso porque as embalagens são todas na língua dos países de origem. No Comércio de Alimentos Nissei, é vendido o molho de ostras, segredo do prato japonês Yakisoba. ''Muitas pessoas lamentam que não conseguem fazer Yakisoba com o sabor igual ao do restaurante, então eu digo que o que falta é o molho de ostras'', revela o dono Sílvio Kazunori.
Mais de meio litro do molho de ostras, que vem da China, custa R$ 8,70. O molho pode ser usado ainda em refogados de legumes. Na pequena loja de Kazunori, em funcionamento há 10 anos, ainda é vendido o Bentô, refeição fresca e completa com pedaços de carne, sushis e tempura, além de guloseimas feitas à base de arroz moti e feijão azuki.
Não precisa andar muito para garimpar outros produtos alimentares curiosos no Mercado Municipal. Na Adega Brasil, localizada à frente da loja Nissei, é vendido um produto dificílimo de ser encontrado em Curitiba. A água de rosas, um ingrediente requintado para usar em sobremesas e bebidas exóticas, é importada do Líbano e custa R$ 13,30.

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