GASTRONOMIA - Muito além do tempero baiano
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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Katia Michelle<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O sobrenome conhecido não é por acaso. ''A família Drummond é uma só'', ele lembra. E como o consagrado poeta mineiro, o baiano Tamir Drummond migrou também para o mundo das letras. Optou, no entanto, pela realidade do jornalismo, mas nem por isso deixou o lirismo de lado. Pesquisador nato, quase tudo que ele se interessa, é destrinchado em detalhes. Foi assim com a gastronomia, uma paixão que nasceu com a necessidade. ''Quando fui morar sozinho, tive que cozinhar para mim e para os amigos'', revela. A técnica apareceu bem mais tarde, regada pelo interesse pelo tema.
Natural de Itacaré, paraíso baiano, Drummond fez faculdade no Rio de Janeiro, logo voltou para Bahia e hoje mora em Salvador. Lá, entre o trabalho como jornalista e designer gráfico, encontra tempo para dedicar-se às inúmeras pesquisas gastronômicas.
Foi pesquisando e testando que reformulou uma conhecida receita que de baiana não tem nada: a Costela ao Curry com Garam Masala. O prato tem inspiração indiana e foi feito de forma empírica. Apesar de ser uma de suas receitas favoritas, ele nunca foi e nem pretende ir à Índia. ''É muita miséria'', considera.
Tamir não foi à Ásia, mas entre viagens a passeio e a trabalho pela Europa e outras regiões ele encontrou ingredientes peculiares que prefere usar em suas receitas. E se alguém perguntar como um baiano que gosta de cozinha não se aventura por azeites de dendês e outras especiarias características, ele logo responde que a culinária baiana não é sua especialidade, embora tenha entre seus ''segredos'', uma deliciosa moqueca de arraia. As duas receitas, ele preparou para a reportagem da FOLHA, em um passeio gastronômico que envolve influências regionais e dicas que fazem a diferença no preparo dos pratos.
Para preparar a costela, por exemplo, o jornalista e chef revela alguns macetes. ''A costela é uma carne dura, mas muito saborosa. para fazer esse prato, a carne deve ser limpa e 'selada''', explica. Isso significa que antes do preparo, a carne deve ser levada em pedaços à frigideira e só depois salgada. A cebola deve ser cortada em meia lua. ''O corte é fundamental na culinária'', salienta Drummond. para ele, a técnica não pode ser desprezada nas receitas, mas por outro lado, a criatividade também deve imperar.
Outra sugestão do jornalista é adaptar-se sempre à realidade do local em que o prato vai ser feito. Isso vale para a utilização dos ingredientes. Um exemplo é a saborosa moqueca de arraia preparada pelo jornalista. Na Região Sul, esse peixe pode ser difícil de achar, mas para o preparo do prato ele pode ser substituído por caçonete ou outro peixe de carne branca, em posta. Pode não ficar igual, mas a semelhança, nesse caso, é uma grande vantagem, já que os outros ingredientes conferem sabor especial ao prato. ''Minha dica é nunca se amarrar à receita'', ensina Drummond, o poeta da cozinha.


