Desde a infância vivida em Palmeira, no interior do Estado, que o técnico em contabilidade Arcélio Brustolin aprendeu que lugar de homem é na cozinha. Na pequena cidade em que nasceu, distante 40 km de Ponta Grossa, ele teve contato com a culinária da região, uma culinária com origem na cultura dos tropeiros. "Era uma comida simples, mas muito saborosa", conta o paranaense. Com essa influência, não foi por acaso que ele trocou os números pelos pratos e panelas. O processo, no entanto, aconteceu devagar, com o tempo necessário para se aprender novas receitas e testar novos ingredientes.
Tão logo se casou, na década de 80, aos 21 anos, Arcélio mudou-se com a mulher para Curitiba em busca de emprego e melhores condições trabalhistas. Seu primeiro trabalho foi numa grande padaria da cidade, mas ele ficava bem longe dos pães e doces e foi construindo sua carreira com números e planilhas. Por cinco anos viveu a realidade das contas e papéis, até mudar de emprego. A padaria era outra e o emprego - ligado a contabilidade - parecido. O que mudou foi a vontade de Arcélio de aproximar-se mais da gastronomia.
"Quando chegamos em Curitiba, não tínhamos muito amigos. Acabamos conquistando as pessoas pelo estômago", brinca. Ele e a mulher organizavam jantares em casa com os conhecidos, cozinhavam os pratos da comida tropeira aprendida no interior e aproveitavam para testar paladares inventando novos sabores. Enquanto isso, no trabalho, o técnico contábil ficava cada vez mais perto da mesa da cozinha e longe do escritório.
Nessa época também, os conhecidos foram se tornando amigos, voltando outras vezes para provar receitas e convidando o casal para cozinhar em festas e eventos familiares. Foi assim que Arcélio foi ganhando experiência com a cozinha para muitas pessoas, mas nem de longe pensava em deixar o ganha-pão diário para correr atrás do sonho.
Essa realidade mudou quando ele foi trabalhar com Maurino Veiga, do Instituto Maurino Veiga, focado no desenvolvimento humano. "Eu continuava fazendo jantares para amigos e em eventos e quando Maurino perguntou qual era o meu sonho eu disse que era abrir um bar, um restaurante", conta. Por coincidência, Maurino também tinha o mesmo desejo. Os dois decidiram transformar o sonho em realidade e este ano inauguraram "O Jardineiro", um complexo que une bar, restaurante, petiscos saborosos, além de um espaço capaz de abrigar mais de 200 pessoas, entre área externa e interna.
No Jardineiro, Arcélio teve ajuda de dois chefs para elaborar o cardápio, mas é ele quem comanda a cozinha e dá a palavra final para os pratos que seguem para a mesa dos clientes. O Bacalhau ao Jardineiro, por exemplo, prato que ele escolheu para divulgar a receita, é influência dos peixes que aprendeu a preparar quando ainda morava no interior do Estado e pescava para o próprio consumo. Mas O Jardineiro tem outras peculiaridades que valem a pena ser provadas, como a já tradicional asinha de frango, uma delícia para ser saboreada sem pressa.
O nome da casa aliás, faz uma referência ao processo de maturação das coisas. "Um jardim nunca fica bonito sem um jardineiro para cuidar, para preparar o terreno. Assim é a vida. E nosso restaurante", salienta o técnico contábil que não teve medo do risco de apostar alto. Apostou no próprio sonho.


Bacalhau ao Jardineiro

Ingredientes

l uma posta de lombo
de bacalhau com 250 gramas
l batatas,
l legumes,
l alho e azeite de oliva a gosto
Preparo dos legumes

Cozer em separado todos os acompanhamentos: brócolis, cenouras e batatas, respeitando o tempo de cozimento exigido por cada ingrediente para que não percam a cor nem a textura. O brócolis deve ser refogado levemente em óleo azeite de oliva para ganhar um brilho especial. Deixar reservado.

Preparo do bacalhau
O bacalhau deve ser "dessalgado" por 48 horas. A água deve ser trocada várias vezes durante este período. A posta deve ficar na água até que pareça "esponjosa", quando pressionadas levemente com os dedos. Depois desse processo, levar ao fogo uma frigideira com bastante óleo, passar levemente um pouco de farinha de trigo e fritar as postas por um período de 10 a 15 minutos, virando na metade do tempo para que fiquem bem fritas de ambos os lados. Fritar em separado o alho até que fiquem bem seco e crocante. Deixar reservado. Para servir, distribuir em um prato grande todos os ingredientes e, ao lado, a posta de bacalhau. Sobre ela colocar o alho. Regar com azeite de oliva a gosto.

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