Folha Qual o presente que a administração municipal tem para Londrina no primeiro aniversário do milênio e o primeiro da sua gestão como prefeito?
Nedson Eu me propus a trabalhar três pontos que considero fundamentais para fechar este ano, que dariam governabilidade para os anos seguintes. Primeiro, a questão da ética, da moralidade. Fazer uma administração com transparência, fazendo as apurações devidas, trabalhando mecanismos para que eu tenha maior controle da própria máquina pública para evitar desvios, irregularidades. Um trabalho sério, pesado, mostrando o combate que fazemos para qualquer tipo de desvio de ética na gestão pública. Considero isso uma marca nossa. O trabalho que fizemos em todas as áreas e, em especial, com a atuação do nosso auditor, que foi muito relevante nisso e continua. Permanece como um papel mesmo nosso. O segundo aspecto é o equilíbrio financeiro da administração. Nós pegamos a prefeitura com um endividamento elevadíssimo. Dívidas de folha de pagamento, dívidas de curto prazo, de longo prazo. Um descontrole absoluto nas contas. Um déficit crônico que dura 10 anos. O déficit do ano passado foi de R$ 39 milhões, um endividamento de R$ 530 milhões, folha de pagamento atrasada, entidades sociais sem receber os repasses. Vamos fechar o ano com equilíbrio tributário. Folha de pagamento absolutamente em dia, entidades sociais em dia. As maiores dívidas, que são as de longo prazo, todas renegociadas. As de curto prazo, de relevância social, todas quitadas. E vamos fechar este ano, depois de 10 anos, com superávit.

Folha Qual é o superávit?
Nedson Não é dinheiro em caixa porque pagamos um monte de dívidas referentes ao ano passado, mas é superávit contábil. Esse ano vamos fechar com o mínimo de R$ 2 milhões de superávit. Significa que gastamos menos do que arrecadamos.

Folha O endividamento da prefeitura é de quanto hoje?
Nedson O endividamento, hoje, está na faixa dos R$ 100 milhões, R$ 130 milhões, entre precatórios e endividamento de fornecedores que recebemos do passado. As grandes dívidas foram renegociadas, INSS, Caapsml, Caixa Econômica Federal, são todas dívidas que nós já renegociamos, parcelamos. Pegamos R$ 530 milhões, vamos fechar nessa faixa de R$ 100 milhões, não chega a R$ 150 milhões. É uma redução significativa para o perfil do endividamento da cidade. Hoje, a única pendência que nós temos junto à Lei de Responsabilidade Fiscal é a despesa com pessoal. E nós estamos trabalhando desde o começo do ano para diminuir, mas a meta não era para este ano. A meta da lei é, em dezembro de 2002, chegarmos equilibrados conforme a lei exige no que diz respeito às despesas de pessoal. Hoje, essa despesa está acima dos 54% previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal.

Folha Qual é a despesa com pessoal?
Nedson Nós pegamos com mais de 70%. Hoje está 65%... Devemos fechar o ano na faixa de 63%, eu imagino. Temos até o final do ano que vem para chegar em 54%. Essas medidas inclusive que estou tomando agora são um reforço para que no ano que vem facilite a chegada nos 54%. Por isso estamos com essa reforma adminsitrativa em andamento.

Folha Antes de falarmos da reforma administrativa, explique a teceira meta?
Nedson É equilibrar as contas. Não fazer dívidas para o ano que vem. E nós trabalharmos dentro dos limites da ética, da transparência, da participação das pessoas. Nós fizemos conferências municipais em todas as áreas. Transparência não é só informar as pessoas. Mas as pessoas terem acesso a todas as informações para elas interferirem na política. Teve o orçamento participativo, conferência de saúde, educação, assistência social. Em tudo quanto é área tivemos as conferências municipais, onde temos os conselhos e as pessoas participam e fiscalizam, acompanham a gestão. O papel da transparência não é de uma mão só. É de mão dupla. O terceiro aspecto e meta nossa era colocar em funcionamento três grandes projetos sociais que eu pretendo na minha gestão. O primeiro, o bolsa-escola, o projeto de renda mínima municipal, que já implementamos desde abril. Estamos com ele já implementado e vamos gradualmente aumentar os recursos nessa área. Teve até uma polêmica recente sobre isso.

Folha Foi a polêmica com o vereador Sidney de Souza? (O vereador Sidney de Souza, do PTB, apresentou uma emenda ao orçamento de 2002 destinando R$ 700 mil do Programa Bolsa-Escola para a merenda escolar)
Nedson O vereador foi devidamente esclarecido, já abriu mão, aceitou as argumentações nossas e está apoiando a proposta. Começamos este ano com dificuldades, mas já implementamos. É diferente do bolsa-escola federal. Esse nosso é um programa de renda mínima, voltado para a família. Ele tem vinculação educacional, mas não é só. É vinculado à família. Assistência integral a essa família. Não é só a criança na escola, mas se o pai também é analfabeto, nós queremos que ele também faça curso. Não é o R$ 15,00 para a criança ir à escola, mas é R$ 100,00, uma atenção social à família.

Folha E o segundo?
O segundo projeto importante é o Programa Saúde da Família. Lançamos todo o projeto junto ao Ministério da Saúde. Estamos entrando com metade do recurso para fazer o projeto Saúde da Família aqui em Londrina. Implantamos 88 equipes. Também depende de pessoal, de profissionais, fizemos a contratação de agentes comunitários, 360 agentes comunitários de saúde, gente da comunidade. Isso acaba sendo uma forma de geração de renda para as famílias. E o terceiro, que é mais complexo, iniciamos agora no final do ano, mas no ano que vem é que vamos deslanchar. É o Rede da Cidadania, um projeto muito ambicioso no sentido de integração de políticas públicas. É fácil fazer uma política pública de educação lá na escola. Agora, fazer uma política pública integrada em um bairro onde afete a cultura, o esporte, a educação, qualidade de vida, se o bairro está bem cuidado, se a associação de moradores está envolvida, se as igrejas estão envolvidas. Um trabalho integrado assim não é simples até mesmo para o servidores das várias secretarias agirem de forma integrada. Não existe essa cultura dentro do serviço público. Então é mais desafiante. Iniciamos com a coordenação da Secretaria de Cultura, mas muito articulado com esportes, com educação e com a saúde. Considero que o que nós planejamos para este ano, as grandes metas, nós conseguimos. (Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, o município arca com 60% dos custos do programa Saúde da Família. Ainda segundo a assessoria, o Ministério da Saúde tem uma despesa de R$ 4.206,00 por equipe)

mockup