Conhecido como Gasolina desde os tempos em que era caminhoneiro, José Dorvalino Clemente, 56 anos, é um dos motoristas mais antigos de ônibus urbanos de Londrina. Experiente, aponta a falta de planejamento das ruas do Centro como principal causa dos problemas do trânsito londrinense. ''Deveria existir vias rápidas exclusivas para os coletivos e sem tantos obstáculos, como os semáforos'', sugere.
Há 25 anos, Clemente sente na pele as dificuldades em transitar pelas ruas centrais. Para ele, as proximidades do Terminal Urbano são os piores trechos, principalmente nos horários de pico. ''As ruas Sergipe e Benjamin Constant, por exemplo, são muito complicadas nos finais de tarde'', constata. ''É porque as ruas são muito apertadas'', acrescenta.
O resultado do trânsito lento, aliado a ônibus superlotados, é uma cobrança constante sobre os motoristas dos coletivos. ''Se tem de brecar de repente, o passageiro em pé lá trás já reclama. O motorista precisa manter o sangue frio para aguentar as queixas'', aconselha.
Para ele, uma maior conscientização dos motoristas também poderia contribuir para melhorar a qualidade do tráfego. Clemente considera que existe ''muita imprudência'' no trânsito da cidade. ''Muita gente não respeita. Se o motorista do ônibus der seta para sair do ponto, tem de esperar todos os carros passarem porque ninguém dá passagem'', observa.
Na hora de apontar soluções, Clemente destaca a importância da atividade profissional dele. ''Se as pessoas utilizassem mais os ônibus, e deixassem os carros na garagem, usando mais em domingos e feriados, com certeza o trânsito teria uma melhora'', decreta o motorista que, desde 1979, conduz os usuários do transporte coletivo pelas ruas da cidade.

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