Gansos, patos e marrecos são atração no Lago Igapó
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sábado, 17 de setembro de 2005
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Poucos conhecem a real origem deles, mas muitos são os que gostam de prestigiá-los, alimentá-los e até acariciá-los, quando possível. Os gansos, patos e marrecos que vivem no Lago Igapó 1, ao lado do Iate Clube de Londrina, são atrativos para adultos e crianças que por lá circulam, e que, com certa frequência se questionam sobre a existência e o surgimento das aves naquele local.
Livres e completamente soltos, os bichinhos chamam a atenção das pessoas, principalmente nesta época do ano, em que as fêmeas chocam e dezenas de filhotes podem ser vistos passeando nas proximidades do lago junto à família. É possível encontrar também nas proximidades do lago garças e biguás.
De acordo com Marcos Massaki Shiozawa, professor de Medicina Veterinária de Animais Selvagens da Universidade Norte do Paraná (Unopar), as aves fazem parte da família Anatidae, que dentre as diversas espécies, contam com os patos, marrecos e gansos domésticos. ''Eles são animais filtradores, seus bicos possibilitam a filtração da água captando assim alimento. Por isso, devem sempre serem alimentados dentro da água ou em locais úmidos'', diz.
A maioria das aves, principalmente os marrecos que hoje são minoria no local começaram a surgir em meados de 2000, quando o advogado londrinense Walid Kauss, com o objetivo de embelezar o lago, trouxe de Joinville (SC) mais de 100 marrequinhos. ''A primeira vez que trouxe foi há mais de dez anos e então, sempre que podia comprava novos filhotes. Eu os criava em casa no aquecedor, até que completassem 30 dias de vida'', diz Kauss, que reside em uma casa na margem direita do lago, próximo à ponte da Avenida Higienópolis.
As aves trazidas pelo advogado eram os marrecos de Pequim, conhecidos principalmente pelo seu porte pequeno e por não possuírem verrugas avermelhadas sobre o bico e em volta dos olhos, típicas dos patos. ''Hoje são poucos os que restam. Houve uma época que eles eram caçados e maltratados, então fui deixando de trazer marrecos e passei a trazer gansos'', diz.
Em fevereiro de 2000, dezenas de aves começaram a aparecer mortas. Além da suspeita de envenenamento, o advogado afirma que algumas pessoas chegavam a atropelar os bichinhos com lanchas. ''A maioria das pessoas adoram aves, mas infelizmente, existem aqueles que judiam delas'', ressalta.
Apesar de não viver mais em sua residência, o advogado afirma que as aves pertencem a ele. ''Não tenho um espaço bom para todos. Eles viviam na garagem do barco. Mas quando os soltei no lago, foi como se eles tivessem encontrado o paraíso''.
Ainda segundo Kauss, se houver algum incentivo por parte de alguém ou de alguma autoridade, que possa garantir mais segurança e qualidade de vida para as aves, ele volta a trazer mais espécies. ''Elas embelezam o lago, por isso traria ainda mais se tivesse certeza de que elas seriam bem cuidadas'', conclui.
Mas, quando o advogado deu início à população de marrecos, já existia no lago algumas espécies de patos e gansos. Segundo o soldado Júnior Soares, que trabalha na busca aquática do posto do Corpo de Bombeiros localizado próximo ao Lago Igapó 2 havia mais de cinco anos uma pessoa deixou no local um casal de patos, que foram tratados pelos bombeiros. ''Naquela época não havia a pista de caminhada e o posto fazia fundo com o lago, então as aves ficaram aqui. Foram se reproduzindo aos poucos e quando o lago foi esvaziado para limpeza eles passaram para o lado de lá, no Igapó 1, onde vivem até hoje'', diz.
Uma pessoa que acompanhou o desenvolvimento das aves e conhece bem a rotina diária dos bichinhos, é o instrutor de canoagem do Iate Clube de Londrina, Gelson Moreira Souza, que trabalha no local há dez anos. Segundo ele, apesar de não existir uma pessoa responsável para tratar das aves, hoje, elas vivem muito bem. ''Na verdade, elas não precisam de muito cuidado pois conseguem se manter sozinhas. Além disso, diariamente, um grande número de pessoas traz comida para elas'', diz.
Souza já trabalhava no local quando os marrequinhos foram trazidos pelo advogado Walid Kauss e conta que hoje existem apenas três deles. ''Eles são branquinhos e sempre andam juntos. Um fato interessante é que tem um ganso específico, que sempre está junto deles, parece até que faz parte da família dos marrecos'', comenta.
Segundo o instrutor, apesar das aves viverem sempre próximas ao clube, o estabelecimento não tem nenhuma responsabilidade direta em cuidar dos animais. ''Eles comem muita grama e fazem muita sujeira, mas deixamos eles viverem por aqui, na ilha próximo ao clube''.
Os bambuzais da ilha e também os que ficam na margem do córrego do Leme, servem de locais apropriados para os ninhos e para as aves chocarem seus ovos. Só no ano passado, Souza que acompanha a rotina dos bichinhos das sete da manhã até o fim da tarde chegou a contar mais de noventa ovos. ''Os gansos são bravos e se houver predadores com certeza eles os afastam. Mas acredito que nem todos os ovos são gerados. Hoje eles estão com cerca de uns 20 filhotinhos'', diz.
Apesar da alegria e beleza das aves, existem alguns inconvenientes, como a sujeira causada pela grande quantidade de fezes depositadas nas proximidades, principalmente no córrego do Leme. Segundo o assessor da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema), João Batista Moreira Souza, as aves contribuem com a poluição do córrego, que passa pela região central da cidade e que hoje é o mais contaminado do município. ''O problema da poluição do córrego não é a presença dos patos, existem outros fatores, como sobras de produtos químicos de lava-rápidos, oficinas e estabelecimentos comerciais da região. Mas, as aves contribuem com a contaminação, devido à grande quantidade de coliformes fecais encontradas na água'', diz.
Apesar de não ser um ambiente apropriado para as aves, o próprio assessor, que também é ambientalista, se diz surpreso pela insistência delas, que por serem livres, poderiam procurar águas mais limpas para viverem. ''Realmente ficamos admirados pela insistência''.
Ainda segundo João Batista, pescadores não se atentam em tomar cuidado com as aves pois, segundo ele, é comum encontrar patos machucados e enroscados em linhas e anzóis. ''Se houver uma superpopulação das aves, o ideal seria remanejá-las para o Lago Igapó 2'', finaliza.


