Os dois promotores, os seis policiais militares e os quatro policiais civis e assessores jurídicos que trabalham no Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) de Londrina não tiveram treinamento específico e não têm equipamentos de última geração para as investigações. Porém, executam ações especiais, como escutas telefônicas e prisões, com autorização da Justiça, conforme determina a legislação.
  Para o coordenador do Gaeco de Londrina, promotor Cláudio Esteves, os resultados são frutos da união de forças das três corporações – Ministério Público (MP), que exerce a coordenação do grupo, Polícia Civil e Polícia Militar – e da dedicação profissional, mas, principalmente pessoal, de cada um de seus membros. ‘‘Tem que ter vocação. A pessoa tem que querer trabalhar aqui. É um trabalho mais desgastante do que o natural porque envolve atividades fora do horário comum de trabalho, envolve empenho absoluto, envolve comprometimento’’, assegura. ‘‘Tivemos ótimos policiais que deixaram o grupo porque o comprometimento pessoal é muito grande e acaba repercutindo na família.’’
  Mas, segundo o promotor, a dedicação dos membros ‘‘não é nenhuma qualidade especial’’. ‘‘O que diferencia o Gaeco é a vontade que a função de cada um seja executada adequadamente, o que é a regra para todo servidor público. Não é nenhuma qualidade especial.’’
  Além de querer trabalhar no Gaeco, o candidato deve ter currículo impecável. Vida pregressa e características como probidade e confiabilidade são fundamentais. ‘‘Há trabalho sigiloso e os membros devem ter lealdade com a instituição.’’ O sigilo, explica o promotor, serve para garantir a eficácia da operação e os direitos dos investigados.
  Alguns casos – especialmente os que envolvem agentes públicos – chamam mais a atenção e ganham espaço na mídia. ‘‘Não tem como investigar pessoas que já estão na mídia pelo cargo que ocupam sem essa repercussão. A gente tem limitação no que fala à imprensa, mas a ideia é dar transparência ao nosso trabalho.’’
  O embrião do grupo foi a Promotoria de Investigações Criminais (PIC) que atuou em Londrina a partir de 1998 e foi responsável pelas investigações envolvendo desvios na administração municipal durante a gestão do ex-prefeito Antonio Belinati, que foi preso cautelarmente em duas ocasiões. Em 2003, o órgão passou a trabalhar com as polícias civil e militar e, em 2007, seguindo diretriz nacional do Ministério Público, adotou o nome Gaeco.
  Promotores e policiais também foram responsáveis por operações que levaram à prisão vereadores da legislatura de 2005-2008, que participaram de um esquema de cobrança de propina para aprovar projetos de lei. Nos últimos quatro anos, o alvo do Gaeco foi a administração do prefeito cassado Barbosa Neto (PDT), cuja prisão chegou a ser solicitada na investigação sobre fraude na compra de uniformes. Seu sucessor, José Joaquim Ribeiro (sem partido), chegou a ser preso. Antes disso, em 2011, 21 pessoas foram presas sob suspeita de desviar dinheiro da Saúde.
  Porém, o Gaeco não atua apenas contra as quadrilhas formadas em torno de agentes públicos, mas, combate outros delitos com características de crime organizado, como o tráfico de drogas, e tem função de fazer a fiscalização interna das corporações policiais. Entre 2003 e 2005, vários policiais da região de Londrina foram presos por crimes praticados no exercício da função, como corrupção.
  Esteves também destaca a parceria do Gaeco com a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, que, segundo ele, torna ‘‘mais abrangente a visão dos delitos’’. ‘‘Mas isso não é uma criação nossa. É uma filosofia moderna, aplicada no exterior, de enfrentamento ao crime organizado por meio de forças tarefas. O Estado não é tão aparelhado para enfrentar este tipo de delito, mas com a união das instituições, fica mais forte para enfrentar o crime organizado.’’

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