É com a inocência nata de criança, com o intelecto de um futuro cientista e com a certeza do que quer para o futuro, que Gabriel Marquesi, 12 anos, diz: ''Quando eu crescer, vou ser inventor''. A empolgação do jovem estudante não ocorreu por acaso, nem é de brincadeira. Para ele, criar brinquedos pode ser bem mais sério e trabalhoso do que simplesmente se divertir.
O amadurecimento da compreensão dos conceitos físicos presentes no cotidiano e o interesse pelo estudo de mecanismos surgiu quando Gabriel passou a estudar a robótica, há quatro anos.
Ramo da tecnologia, a robótica é uma ciência que trata de sistemas compostos por máquinas e partes mecânicas, controlados por circuitos integrados (microprocessadores). Por meio da robótica é possível transformar sistemas mecânicos em elétricos.
Segundo o coordenador da Robótica Laboratórios no Norte do Paraná, Leandro Augusto Domingues Alves, nos projetos educacionais, a robótica tem como objetivo despertar a curiosidade dos alunos na criação de seus projetos, além de promover a construção, investigação e identificação de situações-problema.
Com enfoque na pedagogia de projetos, as atividades visam desenvolver atividades de pesquisa, experimentação, análise e discussão em grupo proporcionando ao aluno a possibilidade de vivenciar na prática o que aprende.
''No laboratório os alunos desenvolvem a coordenação motora, capacidade de racionício lógico e a sociabilização. O trabalho em grupo estimula muito isso. Durante as atividades de um projeto, não há individualismo. Arrumar uma peça, por exemplo, não é problema de um só aluno, é problema de todos da equipe'', salienta.
No Colégio Universitário de Londrina, a robótica foi introduzida no currículo dos alunos este ano. O laboratório instalado no colégio, coordenado por Alves, atende cerca de 120 alunos, que estudam em sistema de contra-turno escolar, uma vez por semana, com uma hora e meia de aula. ''Eles recebem aulas teóricas e práticas. Podem começar a estudar alunos de seis anos de idade, mas aqui no colégio temos até alunos com 5. Em três anos, o estudante recebe diploma de técnico júnior'', explica o coordenador.
Marcela Kley, e Guilherme Garrido Pellozo, ambos de 14 anos, são da equipe de Gabriel nas aulas de robótica. O grupo, que estuda o assunto há pelo menos quatro anos, já está no nível avançado. Juntos eles criaram o projeto ''Pimpolho'', um braço mecânico feito de madeira, exposto na Exposição de Robótica ''Futuros Cientistas'', realizada na última quarta-feira, no Colégio Universitário.
O nome do projeto foi uma homenagem a Gabriel, que segundo os companheiros de equipe, é um aluno inteligente e aplicado. ''Ainda estamos terminando o projeto. Eu gosto bastante das aulas e na verdade não foi difícil desenvolver o braço mecânico. O que me deixou um pouco ansiosa foi o fato de nossa equipe ser do nível avançado, então havia uma expectativa grande em relação ao nosso trabalho. Mas está ficando bem legal'', conta Marcela, que já decidiu estudar Engenharia Mecatrônica, um ramo da Engenharia que chegou no Brasil em 1989, também conhecida como Engenharia de Controle e Automação.
Já Guilherme, ainda não tem certeza se quer seguir a área da automação, mas afirma que gosta muito das aulas e que pretende continuar estudando a robótica por um bom tempo. ''Gosto muito de fuçar e assim vou tentando criar as coisas'', diz.

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