Futuro sem fronteiras para a cidadania
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quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Equipe da Folha 
O haitiano Gustot Lucien diz que foi bem acolhido aqui, em parte por causa da hospitalidade característica do brasileiro, mas também por sua condição de missionário religioso. "Minha aculturação aconteceu bem. É diferente de outro migrante que chega em dificuldade, sem documento. Mas algumas coisas você nunca supera, como a saudade da família", conta o padre. Para ele, a maior dificuldade foi adaptar-se ao novo idioma. "Você apanha muito para aprender uma língua estrangeira. Algumas expressões inofensivas na sua cultura podem ter um significado bem diferente em outras. Precisa tomar muita precaução, seja para não ofender ninguém ou passar vergonha", ressalta.
Já Miguel Angel Cárcova Gutiérrez, que é cidadão espanhol e uruguaio, naturalizado brasileiro, conseguiu realizar a integração de três diferentes culturas em si próprio. Ele diz que costuma combater os erros e defender as qualidades de cada um dos países responsáveis pela formação de sua identidade. Há 50 anos no Brasil e desde os anos 60 em Curitiba, a condição que guiou Gutierrez em sua trajetória foi "viver em liberdade total". "Sempre digo aos meus filhos: 'antes de buscar o mundo, tenha o seu mundo dentro"', recomenda o imigrante, que chegou aqui animado com a possibilidade de colaborar para o crescimento de um país em início de desenvolvimento. "O Brasil era tão novo que precisava de técnicos, pesquisa, trabalho. Vim com um livro na cabeça e mão para o trabalho", lembra Gutiérrez, de 77 anos.
Para ele, o sentimento de identificação com cada país depende do contexto. "Varia de acordo com a música, a história, o tema da conversa e a alegria do momento", explica. Segundo Gutiérrez, a vida é sempre um recomeço e o estrangeiro vive num constante ir e voltar. "A gente está sempre recomeçando, em qualquer país. Sempre estou indo e voltando. Esse me parece ser o futuro da cidadania. Um futuro em que não haverá mais fronteiras", projeta. (D.R.)


