Fundos de vale vão garantir o ar
Lucilia Okamura
De Londrina
Londrina possui uma topografia privilegiada por contar com 81 fundos de vales, espalhados por todas as regiões. Neles, correm dois arroios, 71 córregos e oito ribeirões. O fundo de vale, tão importante para o equilíbrio do ecossistema e qualidade de vida da população, é considerado ponto fundamental para se pensar no futuro de Londrina, segundo o presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), João Baptista Bortolotti.
Se hoje estamos dando pouca importância, futuramente o fundo de vale vai ser tratado com carinho porque ele é a grande cara de Londrina, aposta o arquiteto e urbanista Bortolotti. Ele justifica afirmando que o fundo de vale não pode ser visto apenas como um área verde protegida por leis ambientais. Os fundos de vale serão os grandes condutores de ar, afirma.
Bortolloti explica que os fundos de vale funcionam como tubulações de ar condicionado, que servem para levar o ar à população que mora no perímetro urbano. Isso vai reduzindo as ilhas de calor, que acontecem quando não tem ventilação adequada, explica. Uma das maneiras de preservar os fundos de vale, explica, é evitar as construções muito próximas, já que elas funcionariam como paredões, impedindo que o ar circule.
Na área de trânsito, o presidente do Ippul observa que Londrina teve um crescimento muito rápido, não dando tempo suficiente para que a população se preparasse. Grande parte das vias não foi planejada para receber a quantidade de veículos que hoje trafegam na cidade estima-se que existam 150 mil veículos em Londrina. Ele explica que, para melhorar o tráfego na cidade, algumas vias ainda podem ser ampliadas, como a Rua Goiás e a Avenida Duque de Caxias. Mas outras ruas e avenidas não estão permitindo este alargamento por falta de espaço, alega.
Há projetos também já prontos para vários pontos da área central, como a transposição da Avenida Maringá e a passagem de nível no cruzamento das avenidas Juscelino Kubitscheck e Higienópolis. Para colocar os projetos em prática é preciso disponibilidade de recursos. Outras medidas, como estacionamento verticalizado ou subterrâneo e a automação do trânsito, também podem ser utilizados.
Pensando em um futuro mais a longo prazo, o presidente do Ippul afirma que é preciso planejar a oferta de outros serviços de transporte coletivo de passageiros, como o metrô. O carro tem uma vida finita, garante. Pelo dimensionamento das vias, vai chegar a um ponto em que não haverá locais para estacionar, ressalta.
A questão do mobiliário urbano (praças, monumentos, quiosques, entre outros ítens) também preocupa o presidente do Ippul. Na sua opinião, muitos dos mobiliários existentes estão em degradação e também não possuem identidade. Joinville (SC), por exemplo, possui arquitetura e características próprias. E Londrina?, questiona. Ele até arrisca a dizer que Londrina poderia buscar a sua identidade junto aos colonizadores ingleses. É importante Londrina ter a sua identidade, ter a sua cara.





