Fundos de vale
Londrina é uma cidade de natureza privilegiada. Com 64 fundos de vale espalhados por seu perímetro, a cidade conta com mecanismos naturais de controle climático. Graças às áreas preservadas ao redor dos rios, o município não enfrenta grandes problemas com enchentes e, nas regiões próximas desses locais, oferece paisagens agradáveis que convidam à contemplação. De acordo com o arquiteto e urbanista Clóvis Bohrer, a manutenção desses espaços resulta da consciência da comunidade, que já percebeu a importância da preservação dos vales para a garantia da qualidade de vida. Ao contrário do que acontece em outros médios e grandes municípios, os londrinenses não toleram as invasões e fiscalizam de perto qualquer tentativa de modificação do meio ambiente desses locais.
Bohrer explicou que a preservação dos fundos de vale é importante sob dois aspectos. O primeiro deles relaciona-se à valorização do ambiente como o mesmo é percebido pelo cidadão. "São áreas para caminhada ou simples contemplação que possuem efeito anti-estresse", disse. A função prática dos vales está na regulagem da canalização dos ventos e na absorção das águas pluviais (da chuva). "A tendência da água é escorrer para esses locais", esclareceu.
Em São Paulo, onde muitos fundos de vale foram pavimentados para construção de conjuntos habitacionais, a conseqüência dessa falta de cuidado aparece nos dias de chuva, com as enchentes. "Essas áreas enchem e transbordam. São os famosos piscinões", exemplificou. Londrina, por enquanto, não corre o mesmo risco. "Os 64 fundos de vale absorvem as águas pluviais", reforçou.
O urbanista ressaltou que a consciência da população sobre a importância da preservação dos vales é que garante sua manutenção. Independentemente da classe social, as pessoas valorizam as áreas verdes e fiscalizam qualquer tentativa de invasão para construção de barracos - um problema social que deve ser resolvido sem o comprometimento da natureza. De acordo com o profissional, são as invasões as grandes ameaças para essas áreas. Os empreendimentos imobiliários, pelo contrário, preservam a natureza por questões econômicas. "O que mais valoriza o empreendimento são as áreas verdes. A maioria das incorporadoras, por isso, não usa toda a área permitida pela legislação", afirmou.
Um exemplo dessa postura é a Gleba Palhano (Zona Sul de Londrina). "O maior apelo da região é a vista para o Lago Igapó. A água traz uma sensação agradável", comentou. Ao redor do Igapó 2, não é permitido construir edifícios em uma faixa de 120 metros a partir da margem. "Os empresários já perceberam que a cobrança maior é da população, por isso, também, respeitam a legislação", avaliou.





