Fundo de quintal está prejudicando, reclama vendedor
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domingo, 07 de setembro de 1997
Cristine Pieske Curitiba 
Kraw PenasBenjamin Padilha (centro): concorrência desleal prejudica vendas dos ambulantesA venda de sucos de laranja feita pelos vendedores ambulantes também já viveu momentos melhores em Curitiba. O inimigo, ao contrário do que se presumia, não são as máquinas automáticas de refrigerante nem os variados sucos de caixinha. A concorrência, que tem conseguido minar a venda porta-a-porta, está nas indústrias ilegais de suco de laranja, responsáveis pelo fornecimento de produtos de sabor fraco e qualidade discutível.
A proximidade do fornecedor e do consumidor final, cantada como uma das maiores vantagens da venda direta, tem-se mostrado desastrosa em casos como estes. Por terem um visual muito parecido - semelhança que vai desde as garrafas até o carrinho onde são comercializadas, que também reproduzem o formato de uma laranja - os consumidores acabam generalizando os produtos. Quem compra uma vez um suco ruim tende a achar que são todos iguais, reclama o comerciante Benjamin Padilha, que há três anos trabalha na revenda dos produtos da empresa Kid Laranja, de Curitiba.
O número reduzido de empresas legalizadas que processam suco de laranja, na região de Curitiba, contrasta com a imensa variedade de marcas disponíveis no mercado. Apenas três empresas possuem registro no Ministério da Agricultura e obedecem às regras sanitárias estabelecidas pelo governo. As outras, ilegais, faturam e prejudicam as vendas dos ambulantes que trabalham ligados às empresas de suco. Só há fiscalização da vigilância sanitária quando existe alguma denúncia concreta.
GanhoApesar da proliferação de produtos de baixa qualidade, ainda existem empresas interessadas em investir no sistema de venda ambulante. Uma indústria de sucos de Minas Gerais, a Pomar S/A, pretende iniciar a venda porta-a-porta na sua filial de São José dos Pinhais. O sistema, que já é utilizado na filial de São Paulo, é considerado parte de uma das melhores estratégias de marketing no segmento de sucos.
Além da proximidade com o consumidor, existe também o interesse no baixo custo de manutenção do quadro de vendedores, sempre terceirizados. Pelo sistema, os vendedores têm direito a utilizar os carrinhos para realizar as vendas, repassando para a empresa um percentual do valor comercializado. Na média, cada vendedor fatura cerca de R$ 300 por semana, somando um ganho mensal de R$ 1,2 mil. O valor dos carrinhos, produzidos em grande parte no interior de São Paulo, não ultrapassa os R$ 500,00.


