Fundação Cultural acredita em conciliação
A Fundação Cultural de Curitiba (FCC), que administra o espaço e apóia oficialmente a reabertura, trabalha num sentido de conciliar os interesses. E propõe a antecipação no horário de abertura dos portões e início das atividades assim como um encerramento para horário mais cedo, entre onze horas e meia-noite. "Temos todo o interesse que o local venha a funcionar novamente como um espaço cultural importante na cidade", afirma a diretora de ação cultural, Luci Daros, 52. "E acreditamos na possibilidade de atender os dois lados", diz.
Ela conta que a FCC já teve reuniões com a associação dos moradores locais, juiz e promotor. E que existe um projeto para a construção de uma escada permanente como rota de fuga, pedido do Corpo de Bombeiros.
O vereador Johnny Stica, 25, está capitaneando os esforços pelo abaixo-assinado que corre a internet. Mas não foi o primeiro. Em 2008, o casal de comerciantes Edjalma Eccher, 43, e Waldirene Kowalski Eccher, 38, reuniu 1.550 assinaturas a favor da abertura da Pedreira. Há 13 anos, eles comandam a lanchonete Paulo Leminski, em frente aos portões do local. "O que levanta a gente são os shows", afirma Waldirene. "O local é uma praça de emprego", completa o marido. Seu comércio contrata quatro ou por vezes cinco funcionários temporários em dia de show.
O atual abaixo-assinado, iniciado no sábado retrasado, tem o apoio de algumas das grandes produtoras de shows da cidade e também do casal da lanchonete Paulo Leminski, que já sabe de cor o endereço do site e repassa a informação a cada cliente que chega - que, como eles frisaram para a reportagem, são poucos em dias normais. O vereador Stica explica como chegou ao tema em questão. "Tinha muita gente comentando: por que está fechada?", conta. Ele entende que é um grande equívoco deixar a situação como está e propõe um cadastramento das produtoras, penalizando as que não cumprirem os horários com a impossibilidade de realizar shows no local por dois anos.
O vereador acredita que a Pedreira volte a funcionar normalmente ainda este ano, "fruto de uma vontade de equilíbrio". "É um lugar místico. Além de perder arrecadação, perderíamos o principal espaço cultural da cidade", diz Stica, que gostaria de alcançar o apoio de dez mil assinaturas.
Oasis
O show do Oasis, realizado no Expotrade, de Pinhais, reacendeu o debate. Correram as discussões de que o lugar natural para a realização do evento teria sido a Pedreira, o que não teria acontecido graças aos entraves burocráticos - hoje, cabe uma autorização especial do juiz para eventos no local. "Na verdade, temos um relacionamento de anos com a produtora do evento (T4F) e eles quiseram fazer aqui", afirma a gerente comercial do Expotrade, Janete Floriano, 38. "Não tem esse negócio de se a Pedreira não está disponível, os shows vem para cá. São estruturas bastante diferentes."
O Expotrade, a nove quilômetros do Teatro Guaíra, tem como foco o centro de convenções e exposições, mas tem recebido eventos musicais de grande porte - show de Ivete Sangalo, em 2008, e o Curitiba Country Festival, realizado em março. (R.U.)





