Fuganti viveu efervescência cafeeira
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sábado, 07 de junho de 1997
Cláudio Osti 
Primeiro prefeito eleito pelo voto popular em Londrina, Willie Brabazon Davids estava iniciando, em 1936, uma revolução no município recém-criado. Até o final de sua gestão, em 1940, ele seria lembrado por ter aberto mais de 900 quilômetros de estradas, dezenas de escolas, viabilizado água encanada, luz elétrica e até construído o primeiro campo de aviação. Foi nesse clima de efervescência que foi inaugurada a empresa Fuganti & Fontana. A loja vendia de tudo, de agulha, armas e munições a ferragens e secos e molhados. Poucos anos depois, a empresa passaria a pertencer apenas aos irmãos Fuganti e entraria para a história da cidade como um dos maiores grupos econômicos locais.
Em 1946, o empresário e comendador Júlio Fuganti já participava ativamente da vida da cidade. Ele foi o criador da Associação de Amigos de Londrina. Uma das primeiras providências da Associação foi iniciar a arborização da cidade. Curiosamente, o município que, pouco mais de uma década antes, era pura mata nativa, sem qualquer planejamento acabara com quase todas as árvores na zona urbana. Júlio Fuganti mobilizou um grupo de amigos e conseguiu, em São Paulo, um caminhão de mudas para plantar nas ruas de Londrina.
Arlindo Fuganti, que chegou à cidade em 1946 para trabalhar na empresa do tio Júlio e dos primos, virando sócio e diretor do grupo, diz que o surto de desenvolvimento, naquela época, foi muito grande por causa da cafeicultura. Costumo dizer que o desenvolvimento do Norte do Paraná se deu pelo café e a decadência também.
Muito dinheiroSegundo ele, no início de Londrina o governo federal incentivava o plantio do café, a inflação era baixa e em pouco tempo os cafeicultores conseguiam recuperar o investimento. Havia muito dinheiro em circulação e, por outro lado, carência de quase tudo. Como o comércio era intenso, tínhamos que trazer os produtos de fora para poder suprir o mercado. Nossas lojas vendiam roupas feitas, ferragens, produtos de supermercados. O grupo cresceu e passou a atuar em vários setores - concessionária de veículos, distribuição de gás, agropecuária.
Vereador por duas vezes, a primeira em 1952 na gestão do prefeito Milton Menezes - no tempo em que não se ganhava salário para exercer o cargo - Arlindo explica que, naquele período, um agricultor com 10 alqueires conseguia comprar trator, implementos e pagar com certa tranquilidade. Hoje é inviável diz ele afirmando que, com a redução do dinheiro em circulação, as empresas já não tem o mesmo crescimento de antigamente. Atualmente, Arlindo Fuganti é sócio de empreendimentos agropecuários e da indústria têxtil Texnorte.


