Fuga de conflitos marca a história árabe
Diferentemente de outras etnias, como os japoneses, por exemplo, não há uma data certa para se comemorar o início da imigração árabe no Brasil. Pesquisadores encontraram no Porto de Santos que o primeiro registro de uma família árabe a desembarcar no País data de 1873. Antes, porém, árabes já viviam deste lado do Atlântico. Acredita-se que os primeiros viveram por estas bandas já no período colonial, devido os laços comerciais entre Portugal e Síria.
De forma mais acentuada, o Brasil assistiu a dois momentos distintos de maior fluxo migratório de árabes. O primeiro é justamente no final do século XIX, entre as décadas de 1860 e 1870, até início de século XX. O período se estende nos primeiros anos de 1900 e ganha reforço durante os anos da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Essa primeira leva de árabes continuou a chegar até pouco antes do começo da Segunda Guerra (1939-1945).
A chamada primeira fase migratória árabe tem um fator interessante. Fugidos do domínio Otomano, os primeiros a chegarem eram em sua maioria cristãos e não muçulmanos, como poderia se supor. A imigração de árabes muçulmanos é recente; data do período pós-Guerra. A maior parte veio do Líbano e da Síria.
A segunda etapa da imigração árabe começa no declínio do fascismo e a queda do império nazista. Também dividida em três fases, o Brasil continua registrando até hoje a entrada de árabes no País. Fatores históricos contribuiram para o aumento desse fluxo no pós-Guerra. Dentre eles, os principais estão o início de conflitos no Oriente Médio, resultado da criação do Estado de Israel, em 1948. A falta de perspectivas econômicas também contribuiu para o crescimento da imigração. (T.A.)





