Planejada para ter um trânsito de cidade pequena, Londrina tem uma frota crescente, com números que impressionam. Atualmente, são mais de 180 mil veículos. A estatística mais atualizada, de abril, contabiliza exatamente 187.568 veículos. Segundo a gerente de projetos de sinalização e controle viário do Instituto de Planejamento e Pesquisa de Londrina (IPPUL), Cristiane Biazzono Dutra, a cidade deve atingir a marca de 200 mil veículos antes do final do primeiro semestre de 2005.
Este é um dois maiores índices de motorização do País. Na cidade, são 40 veículos para cada grupo de 100 habitantes. O índice paranaense é de 30 para 100 e a média nacional não passa de 20 por 100. Apesar do tamanho da frota, Londrina, de acordo com Cristiane, ainda não apresenta congestionamentos, cuja definição técnica são atrasos e paradas excessivas no trânsito, mas somente períodos extensos de formação de fila.
O IPPUL, órgão responsável pelo planejamento do trânsito na cidade, tem dezenas de projetos para buscar a melhoria das condições de tráfego. A meta é superar problemas históricos, como as ruas estreitas e o crescimento desordenado da frota. O trabalho é direcionado para sanar as duas principais consequências da falta de planejamento: problemas na fluidez dos veículos e no número e gravidade dos acidentes. Os pontos de conflito passam por adequação da sinalização, feita pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), ou por readequações promovidas pela Secretaria Municipal de Obras.
Para Cristiane, a solução para os problemas do trânsito passa necessariamente pelo investimento no sistema de transporte coletivo. Ela considera a implantação da bilhetagem eletrônica como ''grande avanço.'' ''Nenhuma cidade o mundo melhora o trânsito sem investir em transporte coletivo'', constata Cristiane.
Para ela, uma das causas da falta de fluidez do trânsito é o tempo excessivo de sinal vermelho dos semáforos. A medida tomada para amenizar o problema foi a instalação da central de controle de tráfego, que tem sinaleiros de 40 cruzamentos interligados. O controle eletrônico e automático de tempo permite trechos de ''onda verde'', programadas diretamente da CMTU.
O horário mais complicado do trânsito da cidade é entre 17h45 e 18h45. Um dos trechos mais movimentados da cidade é o entroncamento da Avenida Leste-Oeste com as ruas Guaporé e Pernambuco, com 1.900 em uma hora, em horário de pico. Para o local, o IPPUL está propondo a aumento de faixas da Leste-Oeste com um recorte no canteiro central.
O IPPUL faz análise qualitativa, de acordo com a gravidade dos acidentes. Para os pontos críticos, o órgão elabora um projeto de engenharia de tráfego para fazer a adequação de geometria e minimizar o problema, que é realizada pela Secretaria de Obras.
Já a fiscalização do trânsito é responsabilidade da CMTU. Para o diretor de trânsito e fiscalização da companhia, Álvaro Grotti Júnior, o trânsito ''não é ruim, mas tem problemas.'' Para ele, o aumento constante da frota é uma das principais causas das dificuldades encontradas por motoristas e pedestres.
''Londrina é um grande pólo universitário, médico e de tecnologia de ponta, o que traz bastante gente para a cidade'', salienta. ''A duplicação da Rodovia Carlos João Strass, prevendo o crescimento do pólo gastronômico e turístico do Heimtal (Zona Norte), também é importante'', acrescenta.
Ele salienta, no entanto, que nenhuma política pública pode ser eficiente se não contar com a conscientização de motoristas e pedestres. ''O motivo de 95% dos acidentes é a imprudência. Não depende da fiscalização, são alheios ao Poder Público'', conclui.

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