Fregueses fiéis conseguem desconto
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A Central de Abastecimento de Londrina (Ceasa) é encarada pelos produtores como uma das alternativas viáveis para ''fugir'' dos grandes varejistas. Os horários são exaustivos e nem sempre as negociações são compensadoras, mas como a comercialização é livre, não há cobrança formal dos contratos ou os custos com eventuais prejuízos.
Roberlei Yuji, produtor em Ibiporã (14 km a leste de Londrina), participa do mercado há três anos, nos dois horários (de manhã e à tarde). A sua propriedade tem cinco alqueires.
Ele comercializa legumes, como berinjela e abobrinha menina, e maracujá. Afirma vender seus produtos na Ceasa por ''herança de família'', uma vez que seu pai também frequentava o local. Segundo Yuji, apesar de os preços obedecerem as regras do mercado, os fregueses fiéis sempre conseguem um descontinho.
O produtor Edson Carlos Roque vem de Ibaiti (94 km ao sul de Jacarezinho), três vezes por semana, para vender seus produtos. Ele participa do pregão vespertino, com beterraba, abóbora itália, pimentão amarelo e vermelho, maracujá e uva niágara.
''A verdura está bem cara, tem o mercado mais instável'', comenta. Segundo ele, as frutas estão menos suscetíveis à variação de preços. Na sua avaliação, a Ceasa está com bom padrão de negociação, atraindo compradores de outros Estados. ''Cerca de 90% dos meus clientes são supermercados. Só para se ter uma idéia vendo para um supermercado de Ibaiti, mas eles vêm até aqui comprar de mim'', exemplefica.
Luiz Otávio dos Santos é produtor de ''folhas em geral'' em uma propriedade de três alqueires no Distrito do Espírito Santo, em Londrina. Ele vende seus produtos na Ceasa desde 1997, mas vai só à tarde por considerar o melhor período para negociar. No entanto, para a Central vai apenas o excedente da produção, uma vez que 70% é entregue em supermercados e restaurantes. ''Faço o preço para o supermercado a partir da movimentação da Ceasa'', comenta.
Já o produtor Cristóvão Ponciano de Oliveira participa do dia-a-dia da Ceasa desde 2002. Ele, entretanto, não vende seus produtos no atacado para a revenda, mas para produtores e comerciantes. A produção da família - bolos de milho, pamonha, curau e suco de milho - frequenta a ''pedra'' durante as tardes.
''Já tenho clientela, mas nos outros dias vendo também nas ruas, de casa em casa. É o que dá mais lucro'', comenta. Os alimentos são feitos em sua propriedade, em Londrina, onde também cultiva o milho. Sua família também tem quiosques em supermercados, onde são confeccionados e comercializados diariamente a produção.
Compradores
A Ceasa de Londrina atrai compradores da região e de Estados como São Paulo e Mato Grosso. É o caso de Gerson Cardoso da Silva, gerente de um supermercado que tem duas lojas em Birigui (SP), que frequenta a Ceasa há 12 anos. ''A maioria dos produtos que vendemos é comprada aqui. Levo praticamente de tudo, menos folhas'', observa. Segundo ele, o preço compensa até pela qualidade oferecida. Em média, Silva compra 15 toneladas de hortifruti por vez.®MDBO¯®MDNM¯
O gerente de supermercado, Cláudio Sebastião de Marchi, frequenta a Ceasa há dez anos, sempre às tardes. ''É mais cômodo, 70% dos produtos que vendemos são comprados aqui. O restante (30%) é entregue diretamente pelos produtores'', comenta. Ele diz que as compras são vantajosas e que a negociação ocorre na ''pedra'' e nos boxes.
Quando há aumento de preços, De Marchi comenta que procura a diversificação. ''Hoje está caro, o preço vai subir no supermercado e também vou ter que reduzir a margem. Se o preço sobe muito não adianta comprar porque o consumidor boicota e, aí, o mercado perde'', avalia.
O proprietário do box JCA, Airton Capassi, negocia frutas ''importadas'' do Nordeste do País como coco verde e seco, melão e manga, e maçã do RS. Ele também negocia hortaliças trazidas de Curitiba. ''As hortaliças competem em preço com as produzidas na região pela qualidade. Quando falta aqui trago de lá e quando está caro lá negocio com produtores daqui'', explica. Quando o preço sobe muito na lavoura, os atacadistas não compram em excesso. ''Se estiver muito caro a clientela não leva'', diz.
Ele citou como exemplo a falta de melão devido às chuvas em excesso no Rio Grande do Norte. ''O quilo chegou a R$ 1,20, o dobro. Aí trouxe só uma carga e vou esperar normalizar o preço. Quando está muito caro o consumidor não leva e como os produtos são perecíveis acaba estragando'', comenta. (F.M.)





