A descoberta de fraudes na produção de leite em diferentes estados como São Paulo, Minas Gerais e, principalmente, Rio Grande do Sul - que incluem adulteração do produto com adição de água e ureia - fez com que o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Paraná (CRMV-PR) se mobilizasse para discutir o assunto durante a ExpoLondrina.
No dia 10 de abril, das 9 às 12 horas, acontece, no auditório Horácio Coimbra, o Seminário de Responsabilidade Técnica na Indústria de Laticínio. O evento técnico traz entre cem e 120 responsáveis técnicos (RTs) de diversas indústrias do setor. O objetivo é que esses profissionais, que estão diretamente ligados ao CRMV, conheçam e se aperfeiçoem às mais variadas ferramentas para que a adulteração não aconteça novamente. "Esses profissionais têm o contato direto tanto com a matéria-prima que chega ao laticínio como com o produto final. Portanto, é preciso mostrar o grau de responsabilidade que eles têm no laticínio", explica o delegado do CRMV de Londrina e médico veterinário do Instituto Emater, Paulo Hiroki.
Para direcionar as informações, dois convidados de peso participarão do seminário: o presidente do CRMV-PR, Eliel de Freitas, e o médico veterinário da Associação Paranaense dos Criadores de Bovinos da Rala Holandesa (APCBRH) Altair Velotto. "Vale dizer que essa entidade possui um laboratório e que os laticínios são obrigados a enviar de duas a três amostras mensais para a avaliação do produto", comenta Hiroki.
Na opinião dele, as fraudes descobertas em alguns estados e a operação Leite Compensado, deflagrada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul, são provas que os consumidores e as entidades precisam ligar o sinal amarelo. "Se os responsáveis técnicos estiverem realizando as análises de forma adequada e enviando as amostras para as entidades responsáveis, a chance de acontecer esse tipo de fraude é ínfima."
De maneira geral, Hiroki acredita que os serviços de auditoria tanto em nível municipal, estadual ou federal estão fragilizados, com plantel de funcionários pequenos, e por isso, desenvolver seminários como esse, focando os responsáveis técnicos, é muito importante. "O assunto ficou meio escanteado, a sociedade se acomodou e as fraudes aconteceram. Os RTs precisam ser estimulados e cobrados, até porque podem ser responsabilizados pelo CRMV em caso de alguma situação mais grave, como essas que ocorreram", complementa.

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