Pouca gente sabe, mas Curitiba já vem pensando o seu planejamento urbano há quase 150 anos. Embora a maioria dos cidadãos atribua o traçado da cidade aos técnicos que, no final da década de 60, lançaram as bases do atual plano diretor, duas outras intervenções - bem mais antigas - já determinavam para onde e como a capital deveria crescer.
A primeira tentativa de organização urbana aconteceu em 1855, quando engenheiros franceses, chefiados por Pierre Taulois, realizaram a primeira medição das terras públicas em Curitiba. Foram os estudos de Taulois que, em 1857, guiaram modificações no traçado das ruas. Mas que ruas? Naquela época, as únicas vias de verdade eram a da Assembléia (hoje Dr. Muricy) e do Comércio (Marechal Deodoro) - em volta delas, ramificavam-se outros caminhos de forma tortuosa e desordenada.
Taulois riscava aqui, cortava ali, desapropriava casas acolá. Paralelismo era a palavra de ordem. As ruas do Rosário, do Fogo (hoje São Francisco) e Graciosa (Barão do Serro Azul) ficaram retas e passaram a formar quadras retangulares. A cidade crescia.
Cresceu tanto que precisou ser repensada. Em 1941, na gestão do prefeito Rozaldo de Mello Leitão, uma nova concepção foi adotada em Curitiba, surgida da mente do arquiteto francês Alfredo Agache. O Plano Agache, como ficou conhecido, estabelecia uma distribuição radial das vias. A intenção, com esse modelo, era corrigir problemas como saneamento e congestionamento de tráfego, e implantar alternativas como a estruturação de pólos habitacionais e de comércio, aliviando o Centro.
Curitiba herdaria do Plano Agache avenidas importantes como a Visconde de Guarapuava, Sete de Setembro e Marechal Floriano. Também foram construídas galerias pluviais na Rua XV de Novembro e instituído o recuo obrigatório de cinco metros nas construções. Mas não parou aí. O plano foi o primeiro a destinar áreas para indústrias e para um centro de ensino - que mais tarde se transformaria no Centro Politécnico, campus da Universidade Federal do Paraná. (I.R.)

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