Franceses adoram carne e frutas
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quinta-feira, 27 de março de 1997
Ana Cristina Pereira 
O alemão Andreas Gabriel: frutas, churrasco e passeios pelos parques curitibanosAo contrário dos imigrantes eslavos de décadas passadas, os franceses da Renault encontraram uma cidade já formada.
Sob o olhar destes novos moradores, Curitiba não deixa nada a desejar em comparação a algumas cidades da Europa. Curitiba é agradável e limpa. Aqui, tive a impressão de não estar na América Latina, descreve Yann Meur, diretor da Escola Renault, que atende os filhos dos funcionários da empresa.
Meur, que morou dez anos na África antes de vir para o Brasil, adaptou-se facilmente e até já elegeu alguns pontos importantes para o lazer. Correr nos finais de semana no Parque Barigui ou Tingui se tornou um de seus passatempos favoritos.
O roteiro de Meur inclui ainda o Jardim Botânico, Ópera de Arame, Boca Maldita e feira de artesanato aos domingos no Largo da Ordem.
Nem todo mundo segue nessa linha. Nada de Ópera de Arame, Parque Barigui ou Jardim Botânico para o alemão Andreas Gabriel, diretor de compras da Renault. O que mais lhe chamou a atenção foram as churrascarias. Têm um clima muito descontraído. As famílias levam as crianças, o que é pouco comum na Europa, diz ele. A empolgação maior é com a carne brasileira, segundo ele bem mais saborosa do que a européia.
Gabriel também ficou encantado com as frutas brasileiras. Em Curitiba, há muita fartura e qualidade, acredita. O roteiro gastronômico do diretor não deixou escapar os restaurantes de Santa Felicidade.
Antes de se fixar em Curitiba, há seis semanas, Gabriel morou alguns meses em São Paulo. Em comparação com a capital paulista, aqui há mais segurança, tranquilidade e o trânsito e a qualidade do ar são melhores. Em compensação, ele reclama da falta de placas visíveis com nomes das ruas. Os adesivos com nomes das ruas nos postes são difíceis de ler, principalmente em dias de chuva.
A falta de tempo ainda impede o gerente de vendas de autopeças da Renault, Jean Pierre Fromont, de conhecer mais a cidade. Ainda não tive tempo para viver Curitiba. Conheço muito pouco da cidade, conta.
Apesar de se considerar um típico estrangeiro em Curitiba, Fromont destaca algumas qualidades da cidade. O que mais chamou sua atenção foram os parques e casas com jardins, mas também os tubos do ligeirinho, que se destacam na paisagem. É uma idéia interessante, elogia.
Embora animado com a boa acolhida dos curitibanos, só teve tempo de fazer amigos entre os funcionários da empresa.
Os novos imigrantes, porém, não enxergam apenas as qualidades da capital paranaense. Se por um lado as áreas verdes da cidade se sobressaem, os prédios de concreto são apontados como defeito. Fromont, acostumado aos edifícios baixos da Europa, impressionou-se com a arquitetura do centro. Alguns prédios são muito altos, sem decoração e estética, descreve ele. Para Yann Meur, o clima foi a principal dificuldade em seus primeiros dias. Aqui chove muito, reclama.


