Francês Cellot comprou primeiro lote
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quinta-feira, 09 de outubro de 1997
Alexandre Sanches Londrina 
Arquivo MunicipalA casa comercial do francês é a segunda à direita: confiança no futuro A história de Arapongas caminha paralela à da colonização do Norte do Paraná. Fruto de um projeto ambicioso da Companhia de Terras Norte do Paraná, que loteou parte da região, a cidade foi projetada para que se transformasse em uma de médio porte. No início dos anos 30, bravos engenheiros da Companhia (de origem inglesa) chegaram à região e, no meio da extensa floresta rica em peroba-rosa, visualizaram o nascimento de diversos municípios.
O pequeno povoado, dentro do território de Londrina, de quem dependia política e economicamente, começou a receber os primeiros colonos, vindos de São Paulo e Minas Gerais, onde a propaganda indicava que as terras da região eram as melhores do mundo. Eram, em sua grande maioria, europeus e asiáticos. Estrangeiros numa terra ainda estranha para o próprio povo brasileiro. A coragem e a vontade de crescer derrubaram as barreiras impostas pela floresta de mata fechada e enormes árvores.
Em 16 de abril de 1935, os quatro primeiros lotes urbanos foram vendidos para o francês René Cellot e sua filha, Jeanine René Cellot. No dia 28 de setembro do mesmo ano, eles começaram a trabalhar com o primeiro estabelecimento comercial da vila recém-criada. Ele também serviu nos anos seguintes de agência postal, posto de gasolina, ponto de ônibus e outras coisas mais. Neste ano o idealizador, fundador de Arapongas e diretor da Companhia, William Brabason Davids, era o prefeito de Londrina.
Neste mesmo ano começaram a ser vendidos os primeiros lotes rurais. O agricultor Floriano Freire foi o primeiro a adquirir uma área rural em Arapongas. Nos meses seguintes foram vendidas as glebas destinadas às colônias que seriam formadas por imigrantes, seguindo o padrão idealizado pela companhia colonizadora de manter as etnias sempre próximas.
Sem barreirasNo início de sua colonização, Arapongas parecia uma Torre de Babel, visto o grande número de imigrantes de pontos diferentes que ali chegaram. Eram italianos, portugueses, japoneses, sírios, espanhóis, franceses, alemães, suíços, tcheco-eslovacos, poloneses, ucranianos, iugoslavos, lituanos, húngaros, romenos e russos. Mas a barreira da língua não impediu o desenvolvimento comercial da pequena vila.
Assim, na Colônia Orle se instalaram imigrantes eslavos; na Colônia Esperança e na Colônia Pau DAlho, os japoneses; na região de Sabáudia se instalaram os italianos; em Astorga, Granada, Valência, Flórida e Lobato, os espanhóis e portugueses. Por causa destes grupos coloniais foram fundados os povoados de Aricanduva, Arapongas, Sabáudia, Astorga.
Parte desses imigrantes chegou em carroças e carros de boi, vindos do Estado de São Paulo. Quem teve melhores condições financeiras, pôde alcançar o centro do povoado no ônibus de propriedade de Otávio Damasceno Costa. Mesmo assim, com as estradas precárias - especialmente em dias de chuva - estes desbravadores do Norte Paranaense levavam dias para cruzar pouco mais de 30 quilômetros que separam o distrito de Arapongas da sede, Londrina.


