Umuarama – O grande número de mães que resolveu estudar mesmo tendo de levar os filhos a tiracolo está mudando a rotina das escolas que trabalham com educação para jovens e adultos. Já são tantos alunos acompanhados de filhos ou até netos pequenos que algumas escolas pensam em criar um espaço para acomodar as crianças.
  A gravidez precoce é o fator que mais contribuiu para o aumento da presença de bebês ou crianças dentro das salas de aula dos adultos. Em vez de desistir, um número cada vez maior de mães adolescentes prefere levar o filho junto para a escola.
  Com apenas 16 meses, Jonathan ‘‘freqüenta a escola’’ desde o terceiro mês de vida. A mãe Josiane Goulart da Silva, 18 anos, cursa o terceiro ano no período noturno do Colégio Estadual Padre Manoel da Nóbrega, em Umuarama. ‘‘Eu preciso terminar pelo menos o ensino médio. Como não tinha quem cuidasse do Jonathan , passei a trazê-lo comigo. Hoje, mesmo que eu queira deixá-lo em casa, ele chora muito e não fica com ninguém’’ conta a estudante. Pelo tempo que acompanha a mãe, Jonathan foi eleito o ‘‘mascote’’ da escola. Mas não é único bebê no local.
  Na sala da terceira etapa do curso para jovens e adultos, equivalente à 7ª  série do ensino fundamental, os estudantes dividem espaço com Jonathan Henrique, 8 meses, e Amanda Giovana, 9 meses. Carrinhos, fraldas e mamadeiras já foram incorporados ao cenário da sala de aula. A mãe de Amanda, Janaína de Oliveira Lima, tem apenas 16 anos e já está esperando o segundo filho. No quinto mês de gravidez, ainda não pensou em desistir da escola. Janaína não sabe se vai conseguir continuar estudando quando tiver as duas crianças, mas pretende tentar.
  A mãe de Jonathan Henrique, Viviane de Oliveira, 17 anos, diz que precisa estudar porque ‘‘já é difícil arrumar trabalho com estudo, imagine sem’’. Ela não acha difícil acompanhar as aulas com o filho no colo ou no carrinho e o amamenta dentro da sala de aula mesmo. ‘‘Os professores e os colegas nunca reclamam quando os bebês choram e acabam ajudando a gente a cuidar deles’’, elogia Viviane.
  Na mesma sala, até pouco tempo havia mais duas crianças maiores. A mãe acabou desistindo porque os dois faziam muita bagunça. Segundo os professores, a maioria das mães consegue bom aproveitamento escolar e só falta às aulas quando chove ou os filhos ficam doentes.
  Os colegas garantem que a presença das crianças não atrapalha os estudos. Já os professores admitem que às vezes é difícil lecionar com crianças chorando, gritando ou circulando pela sala. ‘‘Uma vez a filhinha de uma aluna resolveu cantar em alto e bom som no meio da aula e não queria parar mais’’, lembra a professora de português, Zoraide Campos.
  Mas a ordem é tolerar e contornar essas situações. ‘‘Entre elas trazerem os filhos para sala de aula e pararem de estudar ficamos com a primeira opção sempre e ajudamos no que for possível’’, reforça o diretor do colégio, Francisco de Assis Custódio.
  Na Escola Estadual Souza Naves, quando há muitas crianças, os professores as levam para a biblioteca para não tumultuarem as aulas e alguém se encarrega de tomar conta dos pirralhos. No colégio Padre Manoel da Nóbrega, a biblioteca é muito pequena. Os filhos das alunas - como Thiago, de 7 anos - têm de ficar sentados na sala de aula ou brincando no pátio. A mãe de Thiago, Marilza Cristóvão, 34 anos, conta que ele reclama muito por ter de ir para a escola de manhã e à noite todos os dias, mas ela não tem outra opção. ‘‘Estou desempregada e preciso estudar para ter mais chances de arrumar trabalho. Meu marido é viajante e não posso deixar o menino sozinho em casa’’, explica. O diretor Francisco Custódio diz que existe uma salinha com colchões onde pelo menos os bebês poderiam ficar brincando ou dormindo, mas não há ninguém disponível para cuidar deles.

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