Fragmentos revelam presença guarani
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sexta-feira, 10 de outubro de 1997
Benê Bianchi Londrina 
Mário CésarEduardo Pavinato, do Museu Histórico: pessoas chegavam com sacos de peças de cerâmica Antes da chegada dos primeiros imigrantes, a região onde hoje é Cambé não se constituía num imenso vazio demográfico. A afirmação é do historiador e funcionário do Museu Histórico da cidade, Eduardo Roberto Pavinato. Vestígios de que uma comunidade indígena habitava a região levaram o Museu a desencadear uma ampla campanha em 1990, envolvendo toda a população, pedindo para que peças de cerâmica encontradas fossem entregues ao Museu.
Os moradores, principalmente os da zona rural, foram essenciais para o sucesso da campanha. Eles chegavam ao Museu com sacos de peças de cerâmica, relata Eduardo. As peças vinham de várias regiões do município, mas os funcionários do Museu notaram que a maior quantidade era originária da Fazenda Dalmácia. Diante das evidências, dois arqueólogos, Oldemar Blasi e Miguel Gaissler, foram chamados de Curitiba para fazer escavações na fazenda, onde realmente foi constatada a existência de um sítio arqueológico.
FragmentosA descoberta enriqueceu a história de Cambé, constata Eduardo Pavinato. Foi verificado que no sítio viveu uma comunidade expressiva de índios guarani, embora toda a extensão do município tenha abrigado integrantes dessa tribo. Ao todo, foram encontrados mais de 2 mil fragmentos de cerâmica e material lítico (pedra polida). Até recentemente, um operário da construção civil encontrou uma pedra em forma de machadinho, quando trabalhava na fundação de uma residência.
Pelas conclusões dos estudos no sítio arqueológico da Fazenda Dalmácia, constatou-se que a comunidade guarani viveu ali há pelo menos 400 anos - não foi possível se estabelecer uma data precisa por falta de análises químico-físicas mais exatas. Entre as conclusões, estão as que a comunidade vivia da agricultura (plantava uma espécie de milho roxo, mandioca, amendoim); e era semi-nômade, passando de quatro a seis anos no mesmo lugar.
Todos os fragmentos encontrados na Fazenda Dalmácia foram catalogados. Muitos estavam em pedaços, mas foi possível encontrar peças inteiras, que estão expostas no Museu Histórico.


