Depois de ler uma nota sobre a produção "Ensaio sobre a cegueira", de Fernando Meirelles, o fotógrafo Rafael Egashira, 34, foi andar pelo centro de Curitiba. Estudante do curso de Fotografia Documental do Núcleo de Estudos da Fotografia (NEF), estava em busca de um tema para um ensaio. Entre a leitura do jornal e a caminhada, acabou por redescobrir as pistas táteis, os caminhos desenvolvidos para os deficientes visuais que perpassam as calçadas da região central. "Observava que as pessoas caminhavam nelas, mas nunca tinha me interessado de maneira especial", lembra Egashira.
A partir disso, teve a primeira idéia para o ensaio fotográfico: ir ao Instituto Paranaense de Cegos e convidar alguém para lhe servir de modelo. "Quando cheguei lá, conversei com dois professores. O primeiro me disse que achava que as pistas táteis eram algo muito bom e que as usava regularmente. O segundo criticou, falou que era como um caminho de gado que obriga o cego a seguir um caminho definido." Egashira, então, decidiu buscar um novo olhar, optando por não incluir os deficientes visuais em suas imagens. O trabalho do paulista que mora em Curitiba desde criança dá início a sessão "Fotógrafos da Cidade", que apresentará o olhar de profissionais jovens e outros mais experientes sobre a cidade e que retornará à Folha Curitiba a cada 15 dias. A sessão será intercalada com a "Foto Reflexão", que segue mostrando o trabalho dos fotógrafos da Folha de Londrina, a cada 15 dias, também nas sextas-feiras.

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