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PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Theo Marques<br>Equipe da Folha 
HEAVY TRASH
- Let me hear you say YEAH!
A platéia, cada vez mais ensandecida, obedece:
- YEAH!
Do palco, novamente o comando:
- Come on babe, let me hear you say YEAH!
Não há como evitar. É algo que nasce no umbigo, amplifica-se pela espinha, acumula-se na garganta e explode pelas bocas em uníssono:
- YEAH!
Isso sim é rocknroll, era tudo em que eu conseguia pensar entre uma foto e outra. Era o show da banda Heavy Trash, novo projeto do bluesman Jon Spencer ao lado do guitar-hero Matt Verta-Ray.
Ainda me lembro do dia, pelos idos de 1996, em que meu irmão chegou em casa com o CD Orange do trio nova-iorquino Jon Spencers Blues Explosion. Naquela época eu só tinha ouvidos para bandas altenativas cabeça como Pixies, Pavement e Sonic Youth. Logo nos primeiros acordes de Bellbottoms, a faixa que abre o disco, senti que para mim nada seria como antes. Duas guitarras, distorcidas e nervosas, tecendo riffs de blues e rock tradicional sobre uma bateria totalmente sincopada e esquisita. E um vocalista que, em gritos afinados e estridentes, vangloriava-se de ser o blues em pessoa. Poucos minutos depois, eu já era fã incondicional. Comecei a garimpar a carreira da banda, devorando avidamente cada nova descoberta, passando pelo Pussy Galore (o núcleo do que viria a ser o Blues Explosion), Boss Hog (Jon Spencer e sua esposa, Cristina Martinez), Dub Narcotic (do baterista Russel Simmins), e de seus filhotes, Royal Trux, Demolition Doll Rods. Cheguei a fazer uma viagem de 18 horas ininterruptas de carro para ver o Blues Explosion em Maringá em 2001.
Alguns dias antes do show do Heavy Trash, eu estava um pouco apreensivo. Imaginava que talvez Jon Spencer não tivesse mais o pique de outrora, que estivesse mais comportado, ou que tivesse caído na armadilha a que vários outros artistas sucumbem: a de tornar-se um arremedo da época em que estavam no auge, uma espécie de cover de si mesmo. Mas essa preocupação acabou no momento em que a banda entrou no palco, desta vez desconstruindo elementos de psychobilly, rock e blues e reinventando esses gêneros com originalidade e potência incríveis. E por cima de tudo o maestro, que entre solos magistrais da guitarra de Matt Verta-Ray, conclamava:
- Let me hear you say YEAH!
- YEAH! YEAH! YEAH!


