O Fórum de Londrina está apertado em termos de espaço físico. É essa a sensação que advogados, juízes, promotores, funcionários e visitantes têm ao transitar pelos corredores e gabinetes do prédio instalado entre a Prefeitura e a Câmara Municipal em 27 de janeiro de 1983 pelo desembargador Eliandro Camargo Guimarães. Na época, o espaço era suficientemente grande para abrigar as varas existentes. O problema é que a cidade cresceu numa velocidade na qual poucos acreditariam e o edifício do Fórum foi ficando cada vez menor, pequeno, sem espaços adequados para seu funcionamento e a demanda que a comarca exige.
A situação é tão crítica que alguns setores estão funcionando em prédios alugados, como, por exemplo a Vara de Execuções Penais. O ideal, comenta o diretor do fórum, juiz Dimas Ortêncio de Mello, seria a construção de um anexo de 13 mil metros quadrados para que na virada do milênio a cidade tivesse um Fórum com infra-estrutura adequada para atender a demanda que Londrina exige. O projeto já existe e espaço para a construção do anexo não falta. A obra custaria perto de R$ 8 milhões. Só que, pelo menos por enquanto não há qualquer perspectiva de ela ser realizada.
‘‘Nós dependemos de liberação da verba pelo Tribunal de Justiça. Mas acontece que o TJ está com um déficit muito grande, devendo para empresas como a Copel, Telepar, por isso considero muito difícil que consigamos, a curto prazo, esse dinheiro para a construção do anexo. O orçamento que o TJ dispõe precisaria ser aumentado pelo governo mas o que está acontecendo é o contrário. Estamos vendo é cortes arbitrários no orçamento’’, afirma Mello.
A falta de espaço físico no Forum de Londrina é apenas um dos problemas que juízes e promotores enfrentam neste final de século. As varas estão sobrecarregadas. Os processos lotam os armários dos cartórios.
Só para se ter uma idéia, as varas criminais estão marcando audiências para ouvir réus que estão soltos - o réu preso tem prioridade para ser ouvido - só para o final do ano que vem. Nas duas varas de família tramitamá cerca de 3 mil processos. Em cada Vara Cível mais de mil processos aguardam numa extensa fila até que chegue o momento para serem julgados. O ideal, comenta o diretor do Fórum, seriam 500 processos em tramitação para cada juiz. Também é necessário, para a agilização dos trabalhos no Fórum, a criação de mais duas varas de família, duas criminais, duas cíveis, além de varas especializadas, como a de trânsito.
Mas, se o Fórum de Londrina não vislumbra perspectivas de melhora - pelo menos em termos de ampliação do espaço físico - a curto prazo, a opinião do juiz Dimas Ortêncio de Mello muda quando fala da cidade que teremos daqui a um ou dois anos. ‘‘Apesar da crise econômica, acredito que a Londrina irá atingir seu ápice no ano 2000. A administração municipal está indo bem, tem conseguido ajuda do governo estadual, as empresas estão chegando, o que nos leva a crer que o futuro será muito promissor’’, afirma Mello.

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