Tudo pronto para o casamento. Então, você procura a vidente indicada pela melhor amiga ou qualquer outra tática sobrenatural para saber se o noivo é mesmo o homem ideal. E se fosse possível descobrir com cinco anos de antecedência quais são as chances daquela união durar mesmo para sempre? O psicólogo John Gottman e o matemático James Murray Kistin Swanson, todos americanos, garantem que descobriram a fórmula mágica para prever os riscos de fracasso de uma união. E mais: a despeito de toda descrença alheia, asseguram que o modelo tem 94% de precisão.
Os cientistas trabalham no Instituto de Pesquisas de Relacionamento, que nos Estados Unidos é conhecido como ''Laboratório do Amor''. Testada em mais de 600 casais, a técnica consiste em analisar reações físicas e emocionais durante uma discussão sobre assuntos controversos. Cada interação positiva vale um ponto, enquanto que toda interação negativa implica na subtração de um ponto. Além do conteúdo de conversas, analisaram expressões faciais e pulsações cardíacas.
Bolar uma ''equação do amor'' pode parecer uma redução quase infantil da complexa vida conjugal a uma continha de criança, mas os pesquisadores apostam que é mesmo possível quantificar a sintonia do casal por meio das interações estabelecidas entre as partes. Segundo eles, casamentos com proporção inferior a cinco pontos positivos contra um negativo estão ameaçados.
Autor de famosas obras sobre relacionamentos, algumas delas já publicadas no Brasil, Gottman defende a mesma teoria repetida pelas tias solteironas para encorajar mocinhas casadoiras: é melhor relevar briguinhas casuais. ''Quando as pessoas vivem um casamento feliz, podem até não concordar em vários assuntos, mas riem e mostram sinais de afeição. A maioria das brigas acontece por falta de conexão emocional'', diz o psicólogo no livro ''Casamentos''.
Mais do que medir a agressividade do que se fala ao parceiro em momentos tensos, é preciso estar atento aos sinais do corpo diante do estresse conjugal. Gottman defende que uma expressão facial de desprezo, por exemplo, funciona como ''o ácido sulfúrico do amor''.
De acordo com o estudo desenvolvido por ele, até o ritmo cardíaco pode influenciar no andamento de uma discussão. ''Acima de 100 pulsações por minuto, o organismo começa a produzir adrenalina, o que torna a pessoa menos receptiva aos argumentos do parceiro'', explica.
Psicólogo há mais de 30 anos e professor de Relacionamento Amoroso no curso de pós-graduação em Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), Ailton Amélio da Silva diz que a tal proporção mágica alardeada por Gottman não goza de unanimidade no meio médico. ''Respeito o trabalho dele, é um bom profissional, mas acho perigoso afirmar que a precisão é superior a 90%. Imagine se aplico um método desses? Estaria milionário!'', brinca.
No livro ''Para Viver um Grande Amor'' (Editora Gente), Silva enumera cinco fatores determinantes para o sucesso da relação. ''É importante não ter pressa. Dois meses é pouco para se conhecer alguém. O amor é míope, namorar é preciso. O namoro é um bom par de óculos.''

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