Curitiba – As cidades são caracterizadas por fazerem parte do sistema produtivo do País. Diferentemente disso, as cidades-dormitórios não têm o que se pode chamar de geração de renda. As pessoas geram ônus para o município em que residem e divisas para as cidades-pólo, explica Walter Fanine, presidente do Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge-PR).
  O histórico da formação dessas cidades é da década de 1970, quando da falta de fiscalização do poder público sobre a ocupação do solo. ‘‘Muitas pessoas ocupavam o solo, registravam no cartório e depois vendiam pequenos lotes sem nenhuma infraestrutura’’, comenta Fanini. As estruturas básicas, como saneamento básico e iluminação pública, ficavam a cargo das prefeituras e oneravam os já parcos cofres municipais.
  Na década de 1980, as políticas de repasse de verbas da União para ajudar no desenvolvimento dessas cidades foi reduzido. Sem a verba do governo federal, muitos municípios não conseguiram atrair investimentos e tampouco desenvolver o comércio. Com a receita reduzida não podem atender a demanda por infraestrura adequada para atrair investimentos.
  O movimento de ida e volta é chamado de pendular. Os motivos podem ser a falta de oportunidades de trabalho ou de ensino. Mais recentemente, outro motivo foi adicionado à lista: o alto custo das propriedades na cidade polo. Isso propiciou um ‘‘transbordamento’’ populacional de Curitiba e a ‘‘expulsão’’ para as cidades vizinhas.
  Fanini ressalta que dos 26 municípios que formam a Região Metropolitana de Curitiba (RMC), 14 são cidades dormitório e sofrem com o movimento pendular. As outras 12, mais distantes, não têm influência direta da capital. ‘‘É necessário reconstruir as políticas e as entidades metropolitanas para discutir.’’
  Na RMC, apenas três municípios têm desenvolvimento industrial (São José dos Pinhais, Araucária e Campo Largo). O restante é dependente direta da cidade polo.

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