Formação técnica: aqui tem espaço
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quinta-feira, 19 de março de 2015
Diego Prazeres<br> Reportagem Local 
O aquecimento da formação técnica profissionalizante direcionada à produção industrial no Paraná é comprovada em números. O Estado respondeu por 11% do total de matrículas realizadas pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) em todo o País no ano passado. Foram 400 mil matrículas feitas no Senai Paraná. "Estamos num nível de produtividade muito alto", comemora o diretor do Senai PR, Marco Secco, que recentemente esteve na região para participar da solenidade de inauguração do Instituto Senai de Tecnologia (IST) de Arapongas (região Metropolitana de Londrina), voltada ao setor de Madeira e Mobiliário. É a primeira unidade a entrar em funcionamento, das sete que o Senai implantará no Estado. Os institutos terão atuação segmentada conforme a vocação industrial de cada cidade-polo e têm o objetivo de oferecer educação profissional e capacitação técnica certificada aos alunos. Em Londrina, o IST será destinado à área de Tecnologia da Informação (TI).
"Em recente pesquisa feita na questão da inovação, de oito dimensões avaliadas o Brasil ficou no amarelo ou no vermelho em sete. A única em que estamos no verde é a da capacitação profissional. Isso nos deixa satisfeitos, apesar do País ter caído quatro posições no ranking da pesquisa, de 58º para 62º", ilustra o diretor do Senai Paraná. Segundo ele, os ISTs irão ampliar essa capacitação no Estado. "O principal desafio dos institutos está na questão de tecnologia e inovação, que é trabalhar na melhoria da produtividade das indústrias do setor", pontua.
Para se ter uma ideia da demanda por cursos profissionalizantes de nível básico, que compreendem iniciação e formação profissional, mais de 90% das matrículas realizadas pelo Senai Paraná no ano passado são dessa modalidade. Do total de 400 mil matrículas, 370 mil foram para cursos de nível básico, 25 mil de nível técnico e apenas duas mil voltadas à graduação ou pós-graduação. "Quando você olha para dentro de uma indústria, há uma pirâmide social. 92% dos funcionários atuam no chão de fábrica, no nível básico; 6 ou 7% estão em nível de coordenação; e somente 1 a 2%, dependendo da indústria, está no nível estratégico", relata Marco Secco. "Procuramos responder à necessidade da indústria, porque sabemos que o País tem uma cultura bacharelesca, aquela ideia de que todo mundo tem que buscar uma universidade. Aí o sujeito se forma na área e não consegue emprego porque tem uma subformação e não tem demanda em relação a isso. Trabalhamos muito focados na demanda do mercado e em dar essa resposta", explica o diretor estadual do Senai.
A unidade do Senai em Londrina realizou 22.300 matrículas em 2014, com maior procura por cinco atividades industriais em que são ofertados cursos técnicos e aprendizagem: automotiva, metalmecânica, vestuário, construção civil e tecnologia da informação. "A nossa unidade de Londrina do Senai tem uma característica um pouco diferente em relação às demais unidades até em nível nacional. Não temos uma modalidade da indústria que é totalmente fortalecida, por isso atuamos em 13 setores industriais", afirma o gerente do Senai Londrina, Almir Gaspar Schenfeld. A unidade oferece cursos de ensino a distância, semi presencial, iniciação profissional, aprendizagem, qualificação, aperfeiçoamento, cursos técnicos, graduação tecnológica, MBA e pós-graduação. Segundo Schenfeld, uma das ações que contribuíram muito para o "boom" dos cursos técnicos nos últimos dois anos foi a criação do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), do governo federal, destinado aos alunos das escolas públicas de ensino médio.


