Quarenta e sete anos depois, Campo Mourão comemora seu cinquentenário, o Brasil já sonha com um pentacampeonato mundial, o Rio de Janeiro não só deixou de ser Capital como virou sinônimo de violência, a indústria automobilística bate nas portas do Paraná e a Rede Globo tomou conta do mercado. Só a Estrada Boiadeira, de triste história, não mudou. O sonho dos pioneiros Manoel Mendes de Camargo e João Bento (e de Edmundo Mercer, o agrimensor que traçou a via), que hoje dão nome a importantes avenidas e ruas da cidade, continua sonho. Eles previam, no início do século, o desenvolvimento da região com a abertura da estrada.
Promessas para que o asfalto fosse retomado nunca faltaram. Em 94, por exemplo, o DER chegou a abrir licitação para a pavimentação. As construtoras que faziam a obra até a paralisação, no entanto, conseguiram na Justiça a suspensão do processo licitatório. Alegaram direito adquirido. Um ano depois, uma nova esperança: o Tribunal de Contas deu parecer autorizando as empreiteiras a prosseguirem com os trabalhos. Daí, o problema passou a ser a falta de recursos.
‘‘Falta mais força política para a região’’, queixa-se o empresário Orley Casali, que nos últimos 10 anos ficou conhecido por brigar pela pavimentação da Boiadeira. Segundo ele, o asfalto não sai porque contraria o interesse de outras regiões do Estado. No ano do cinquentenário, no entanto, Campo Mourão ganha uma nova esperança com relação à conclusão da estrada. O término da ponte sobre o Rio Paraná, em Porto Camargo, e a promessa do governador Jaime Lerner, feita em Umuarama, ajudam a manter o sonho vivo. (S.S.)

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