FORÇA DAS ÁGUAS - Paranapanema: um verdadeiro tesouro paranaense
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sábado, 08 de março de 2008
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Com 929 km de extensão total, o rio Paranapanema começa na Serra de Paranapiacaba, município de Capão Bonito (SP), a apenas 100 km do Oceano Atlântico, mas, ironicamente, não corre para o mar. Suas águas deslocam-se para Oeste, em direção ao Rio Paraná.
Trata-se, na essência, de um rio paulista, ganhando até mesmo um dia em sua homenagem, o 27 de agosto. No entanto, o Paranapanema está diretamente ligado à vida de muitos paranaenses. Dezenas de municípios do Norte e Norte Pioneiro ficam às margens de suas águas - 330 km de fronteira natural entre São Paulo e Paraná - e têm sua rotina ditada pelos reservatórios das usinas hidrelétricas de Capivara (Norte) e Chavantes (Norte Pioneiro).
Pesca, turismo, lazer, esportes náuticos, criação de peixes em tanques-rede, condomínios fechados. Tudo isso é oferecido pelos 976 km quadrados (576 de Capivara e 400 de Chavantes) de reservatórios.
Em tempo de discussão e preocupação com a iminente falta de energia elétrica no País e a preocupação do mundo inteiro com a possibilidade de escassez de água doce, os reservatórios do Paranapanema podem ser encarados como verdadeiros tesouros.
No entanto, há problemas, como falta de mata ciliar e lavouras que chegam até a beira da água, além da constante reclamação de donos de terras às margens da represa em relação ao sobe e desce das águas dos reservatórios, principalmente em Capivara.
Para conhecer melhor a atual situação das duas principais represas da região, a FOLHA colocou o barco nas águas da Capivara, em Primeiro de Maio e Porecatu (Norte do Paraná), e visitou, em Chavantes (SP), o Centro de Operação da Geração (COG) da Duke Energy, responsável pelas hidrelétricas, de onde controla, via satélite, as oito usinas (Jurumirim, Chavantes, Salto Grande, Canoas I, Canoas II, Capivara, Taquaruçu e Rosana) que a multinacional tem no Paranapanema.®MDBO¯ ®MDNM¯Vale dizer que existem outras três hidrelétricas nesse bravo rio: Piraju, Paranapanema e Ourinhos, que pertencem à Companhia Brasileira de Alumínio (CBA).
No CGO, o anfitrião da reportagem foi o diretor de operação Paulo Ricardo Laudanna. Desde 1978, a geração de energia no Paranapanema faz parte da vida desse engenheiro elétrico, que começou como estagiário na Companhia Energética de São Paulo (Cesp), estatal que administrou as usinas até 1999, quando foi vendida aos norte-americanos por U$$ 1 bilhão.
Segundo Laudanna, as represas do Paranapanema, oficialmente, fazem parte da região sudeste, porém a influência hidrológica é do sul do País, região onde se concentram 60% da bacia das represas Capivara e Chavantes. ''O Tibagi, por exemplo, faz parte da bacia do Paranapanema'', lembra o engenheiro, citando o rio que fornece parte da água consumida pelos londrinenses.
Das oito usinas controladas pela Duke no Paranapanema, apenas três são de acumulação, ou seja, precisam de grandes reservatórios: Jurumirim, entre os municípios de Piraju e Cerqueira César, em São Paulo; e as já citadas Chavantes e Capivara. As outras cinco são conhecidas como ''fio d'água'', utilizam apenas a passagem das águas do rio para girar as turbinas. As três pertencentes à CBA também funcionam no sistema ''fio d'água''.
No caso das usinas de acumulação, a variação do nível de água pode ser de 10% a 100%. Em Capivara, por exemplo, isso representa 14 metros. Tudo depende das chuvas. ''É comum ouvirmos dizer que a Duke deixa os reservatórios vazios propositalmente. Isso não tem lógica, pois precisamos da água para gerar energia. É o nosso combustível. Só se eu fosse maluco para fazer isso. Dependemos das chuvas o tempo todo. Já tentei contratar São Pedro para trabalhar conosco, mas ele não veio'', explica, com bom humor, Laudanna.®MDBO¯


