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Cooperativismo ganha importância na economia e principalmente no agronegócio paranaense

Nelson Bortolin - Grupo Folha
Nelson Bortolin - Grupo Folha


O número de cooperativas do setor agropecuário corresponde a 24% do total de cooperativas do País
O número de cooperativas do setor agropecuário corresponde a 24% do total de cooperativas do País | Gustavo Carneiro
 

 


Não faltam números para comprovar a importância do cooperativismo para o Brasil e particularmente ao Paraná. Segundo a OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), são 6.828 unidades espalhadas pelo território nacional. Elas reúnem 14,6 milhões de cooperados e empregam nada menos que 425 mil pessoas.


O Paraná é o Estado brasileiro onde as cooperativas mais empregam: são 101.228 postos de trabalho, quase um quarto do total. Todas as 220 cooperativas paranaenses faturaram em 2018 cerca de R$ 83,7 bilhões, o que representa praticamente 18% do PIB (Produto Interno Bruto) do Estado. Os números são da Ocepar, a Organização das Cooperativas do Paraná.




A reportagem entrevistou os superintendentes das duas entidades para tratar da importância dessas empresas para a economia, bem como saber um pouco mais sobre os vários ramos que formam o cooperativismo e as metas do futuro. Veja os principais trechos das entrevistas:


FORÇA

De acordo com o superintendente da OCB, Renato Nobile, as cooperativas recolheram aos cofres públicos R$ 7 bilhões em impostos apenas em 2018 em todas as esferas de governo. “Também fizemos a economia girar no ano passado, ao injetarmos mais de R$ 9 bilhões, apenas com o pagamento de salários outros benefícios destinados a colaboradores do sistema”, ressalta.


Ele alega que as cooperativas estão nos principais rankings das empresas melhores para se trabalhar. E que um dos indicadores avaliados nessas listas é salário. “Vale destacar que somos uma grande referência no indicador ‘geração de emprego’. Geramos, entre 2014 e 2018, cerca de 18% a mais de postos de trabalho, bem mais do que os outros setores econômicos.”


Citando o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), Nobile diz que a empregabilidade brasileira cresceu apenas 5% no período. “Estamos na contramão do desemprego. Tanto que o número de cooperados também cresceu. E o percentual é de encher os olhos: 15%”, declara.


O superintendente conta que somente em salário e benefícios, as cooperativas injetaram mais de R$ 9 bilhões na economia, no ano passado.


O superintendente da Ocepar, Nelson Costa, destaca que as cooperativas paranaenses são responsáveis por 60% do PIB agropecuário do Estado e 18% do PIB geral. “Contribuem com R$ 2,5 bilhões de impostos, exportam mais de US$ 2 bilhões por ano, investem cerca de R$ 2 bilhões anualmente na construção de novas fábricas e na modernização da produção.”


E ainda ajudam a desafogar o serviço público. “Na área da saúde, as cooperativas têm cerca de 1,5 milhão de vidas em seus planos. São pessoas que deixaram de demandar serviços de saúde pública”, alega.


Na área de crédito, prossegue Costa, as cooperativas estão em praticamente todos os municípios do Paraná. Em 130 deles, são a única instituição financeira. “Em muitas cidades, como por exemplo, Cafelândia, Ubiratã, Medianeira, Palotina, Marechal Cândido Rondon, Matelândia, dentre outras, a cooperativa é a maior geradora de emprego e renda para a população local.”


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DIFERENÇAS

O superintendente da OCB enfatiza que uma cooperativa é uma empresa “com um diferencial humano”. “Ela nasce da vontade de pessoas motivadas por algum objetivo comum. E é exatamente este o ponto que torna uma cooperativa mais imune às intempéries econômicas ou, ainda, menos suscetíveis às crises.”


Segundo Nobile, mesmo diante das exigências dos mercados, das urgências dos contratos, do montante a ser gerado, as cooperativas sabem que o “bem-estar das pessoas que as compõem é o mais importante”.


Nelson Costa diz que o sistema tem cada vez mais aperfeiçoado sua governança com capacitações de seus quadros diretivos para pode gerir o negócio de forma eficiente. E busca envolver todos os associados em suas decisões. “É um sistema participativo, democrático, onde uma pessoa representa um voto”, explica o superintendente da Ocepar.


Um outro diferencial é a intercooperação, pelo qual as cooperativas unem esforços em torno de um projeto comum. “Por exemplo, a Unium, na Região dos Campos Gerais, se integrou às cooperativas Frísia, de Carambeí, Castrolanda, de Castro, e Capal, de Arapoti. Sozinha não teria condições de investir num determinado negócio”, conta. Juntas, tocaram um projeto nas áreas de leite, carnes e trigo.


RAMOS

Embora existam mais de 10 ramos no cooperativismo brasileiro, as cooperativas, o faturamento e os empregos se concentram em alguns poucos como crédito, saúde e principalmente agronegócio. “O número de cooperativas do agropecuário corresponde a 24% do total de cooperativas do País. Além dos ramos saúde e crédito, temos também o transporte, cujas cooperativas têm feito um excelente dever de casa e, assim, obtendo números muito relevantes para a economia, movimentando cerca de R$ 6 bilhões por ano”, conta Nobile.


Ele ressalta que as cooperativas nascem das necessidades e que vem surgindo mais interesse pelas área como educação, infraestrutura (energia, saneamento básico e internet) e até seguros. “É claro que a OCB quer ver o Brasil com mais cooperativas, cada vez mais. Entretanto, é importante dizer que melhor do que o maior número de cooperativas é o número de cooperativas fortes e conscientes de seu papel transformador, social e economicamente falando.”


Nelson Costa, da Ocepar, vê razões históricas para uma concentração grande do cooperativismo no agronegócio. “As cooperativas têm ligação histórica com as imigrações, pessoas que trouxeram a prática do cooperativismo de seus países de origem, principalmente da Europa e Japão.” O cooperativismo surgiu e se desenvolveu inicialmente nas colônias formadas por imigrantes, alemães, holandeses, italianos, poloneses, japoneses.


“As ações do Poder Público nessas colônias eram praticamente inexistentes, e aí surgiram as cooperativas para suprir as necessidades das pessoas.”


O número de cooperativas é pequeno em outros ramos por causa da legislação, que dificulta seu desenvolvimento. “As autoridades têm um entendimento de que a cooperativa suprime direitos das pessoas. Não há entendimento de que a pessoa é a dona de seu negócio, porque a legislação a ser cumprida não é a trabalhista e sim a cooperativista”, explica.


Mesmo assim, há algumas áreas que começam a despertar maior interesse por cooperativas e uma delas é a de transporte. “Os caminhoneiros autônomos, sufocados pelo sistema de transporte existente no País, passaram a criar cooperativas de transporte para atender suas necessidades de busca de cargas e suprimento de peças, pneus, etc.”


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METAS

Renato Nobile diz que as cooperativas brasileiras são modelo e referência para muitos países, inclusive a Alemanha, além de outros que buscam estruturar o segmento econômico nos moldes brasileiros, como alguns países africanos.


De acordo com o superintendente, a OCB não traça metas para o futuro, mas sabe que há muito espaço para crescer porque as demandas da sociedade por negócios comprometidos com as pessoas e com a preservação dos recursos naturais é cada vez maior.


E o cooperativismo vem influenciando inclusive ações do Estado. Um exemplo, segundo ele, é o plano Brasil Mais Cooperativo, lançado pelo Ministério da Agricultura. “Tanto o nome quanto as premissas têm origem no cooperativismo. Por meio desse plano, o Mapa quer organizar o produtor rural das regiões mais carentes do País em cooperativas.”


Outro exemplo é a Agenda BC#, lançada pelo Banco Central que prevê o aumento da participação das cooperativas de crédito no Sistema Financeiro Nacional de 8% para 20%, ampliando a oferta de serviços financeiros por cooperativas nas regiões Norte e Nordeste.


Já o superintendente da Ocepar diz que, no Paraná, há o Plano Estratégico do Cooperativismo (PRC 100) que contém 16 diretrizes estratégicas com vistas ao atingimento de metas nas diversas áreas de atuação. “Uma delas é que toda cooperativa tenha seu plano estratégico quinquenal, com atualizações anuais.”



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