Italianos, alemães, japoneses, poloneses, espanhóis, africanos, paulistas, mineiros... Nos livros de história, a lista de povos que colonizaram o Norte do Paraná é extensa. Famílias inteiras vieram em busca da prosperidade na fértil terra vermelha.
Quando os pioneiros chegaram, a partir de 1924, estabeleceram-se em propriedades rurais. Na bagagem, além de todos os bens materiais que puderam carregar de seus locais de origem, trouxeram suas culturas.
Nos dias de hoje, em meio a uma realidade de transformações rápidas, na era da globalização, um dos traços culturais que conseguem resistir é a culinária. A receita que veio com a bisavó, passou de mãe para filha.
Um bom exemplo dessa resistência cultural é um trabalho que está sendo desevolvido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), no Centro de Aprendizagem Agrícola (CTA) de Ibiporã. O curso de panificação, que é oferecido gratuitamente para produtores rurais e seus dependentes, tem sido o campeão de procura entre todos os cursos de culinária oferecidos pela instituição. O motivo? Pesquisando, conversando com diversas famílias, os instrutores reuniram uma série de receitas, de diferentes tipos de pães, doces ou salgados, de excelente sabor.
''Por meio da velha prática de trocar receitas e também inserindo nelas produtos que são característicos da nossa terra, tais como mandioca, batata e abóbora, conseguimos reunir nesse curso em torno de 20 variedades de pães, que formam uma deliciosa mesa de café rural com a cara do Norte do Paraná'', relata a geógrafa e instrutora do Senar, Devanilde Alves Arias.
Ela explica ainda que um dos objetivos de resgatar nos produtores rurais a tradição de fazer o pão em casa serve para fomentar uma ''indústria'', a do turismo rural, que promete crescer em um futuro breve. ''Fazendo produtos apresentáveis, de qualidade e saborosos, os produtores terão o que pôr na mesa para servir a consumidores exigentes. Nós percebemos essa demanda'', ressalta Devanilde.
E a mesa realmente fica bonita e ''gostosa'', como comprovou a reportagem da FOLHA, que foi até o CTA acompanhar um pouco do curso para compartilhar com os leitores os segredos e os detalhes necessários para fazer em casa verdadeiras delícias. Neste caso, colocar a mão na massa realmente vale a pena.
Lá encontramos aplicados alunos, de diversas cidades do Paraná. A maioria, mulheres, que já sabem fazer o pão caseiro, mas ainda tem algo a aprender, principalmente quando se trata de croissants e outros tipos de pães recheados. A meta dos aprendizes é complementar a renda familiar com a venda de pães. Um exemplo é o casal de apucaranenses Sidnei e Roseli da Silva.
Com um problema na coluna que impede Sidnei de realizar trabalhos que exijam grande esforço físico, eles procuram uma atividade que possa ser fonte de renda. ''Estamos aqui para aprender a fazer um produto de alta qualidade. Já percebemos que as receitas ficam maravilhosas e espero que os nossos pães tenham boa aceitação'', explica Roseli.

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