FONTE DE PRAZER - Vinho brasileiro em processo de globalização
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de dezembro de 2005
Ana Seti<br> Reportagem Local 
Wines from Brazil foi a ''bandeira'' promocional escolhida pelo Projeto Setorial Integrado (PSI) de Exportação de Vinhos e Derivados do Brasil, para agregar em um mesmo esforço 17 vinícolas brasileiras, em especial do Rio Grande do Sul, Pernambuco e Bahia (Vale do São Francisco). Entre elas, Miolo, Salton e Casa Valduga, cujos espumantes foram apreciados em encontro recente de degustação, promovido pela Folha de Londrina.
O que move esse grupo altamente representativo da produção vinícola nacional é a busca integrada de espaços no mercado externo, recorrendo entre outras ações à participação em feiras internacionais, promoção de encontros de degustação em grandes centros do exterior e recepção a importadores.
Os frutos desse trabalho já são visíveis. Em 2002, quando o Projeto foi instituído, o Wines from Brazil respondeu por 15,28% do total de exportações da indústria vinícola brasileira. No primeiro semestre deste ano, segundo informações do Ibravin, um dos mantenedores do Projeto, juntamente com a Apex/Brasil, essa porcentagem mais do que triplicou, chegando a 47,65% do total de vendas de vinhos ao exterior. Em valores, foram mais de 550 mil dólares em seis meses ou 86,98% do movimento conseguido pelo Wines durante todo o ano passado.
Com produtos regionais característicos, o Brasil tem condições de conquistar espaço no mercado internacional, comenta a pesquisadora Loiva de Mello, da Embrapa Uva e Vinho, ''pois produzimos vinhos tanto em regiões temperadas, como em regiões tropicais, e as diferenças de clima e solo proporcionam características próprias ao produto''.
Mas o vinho brasileiro começou a ganhar notoriedade no mundo a partir de 1991, ao participar de certames internacionais de avaliação de qualidade. De acordo com a Associação Brasileira de Enologia (ABE), já são 1.065 as premiações conquistadas, sendo 293 Medalhas de Ouro, 490 de Prata, 196 de Bronze e 86 Diplomas. Do conjunto de vinhos produzidos, segundo o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), destacam-se os espumantes, reconhecidos mundialmente por sua finesse aromática, refrescância e jovialidade. Para Carlos R. Paviani, presidente-executivo do Ibravin, ''cada vez mais o vinho brasileiro vai apresentando nível que o credita a se enquadrar como um produto de perfil internacional''. Os espumantes nacionais são um caso à parte, explica Paviani, ''ocupam o segundo lugar no ranking de distinções em três dos mais importantes concursos ''du Monde'': o Effervescents; o Chardonnay e o Muscats.


