FONTE DE PRAZER - Um brinde ao vinho nacional!
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de dezembro de 2005
Ana Setti<br> Reportagem Local 
Tintos, brancos, frisantes, espumantes, suaves, ''brutos'', quase secos, encorpados, macios, doces... O vinho, em qualquer de suas muitas formas de expressão, sempre equivale a uma corrente de prazer, a borbulhar em taças de cristal. Prazer antigo, cuja origem se perde nos primórdios da civilização e que, ao longo do tempo, só fez se disseminar por todos os cantos do mundo, conquistando cada vez mais adeptos.
Bebido com moderação, é excelente para a saúde. Pleno de incomparável glamour, é a pedida ideal para as muitas celebrações da vida. Cheio de magia, confere romantismo a todos os encontros, fazendo vibrar mais intensamente os corações apaixonados.
O Brasil acolheu as primeiras mudas de videira vindas da Ilha da Madeira em 1532, na então capitania de São Vicente, que viria a ser o estado de São Paulo. Contudo, não houve interesse por uma produção em maior escala até 1875, quando um grupo de imigrantes italianos instalou-se no Rio Grande do Sul, trazendo na bagagem, entre muitas outras contribuições, um profundo conhecimento sobre a produção de uva e vinho.
O início do século XX viu nascer, no território riograndense, as primeiras vinícolas de porte, algumas delas ainda em atividade. Na década de 30, a idéia do cooperativismo organizou e deu mais força à cadeia produtiva em formação. Os anos 70 trouxeram qualidade internacional à produção local, em especial à Serra Gaúcha e à Santana do Livramento, com a instalação de empresas multinacionais de bebidas. A partir de 1980, iniciou-se o ciclo atual da história vitivinícola regional, caracterizada pelo investimento de pequenos viticultores em produção própria de vinhos de qualidade.
Embora a produção de vinhos no Brasil tenha se espalhado por outros estados, como Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e, mais recentemente, o Vale do Rio São Francisco, no nordeste do país, é ainda no Rio Grande do Sul, com destaque para seis municípios da Serra Gaúcha (Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Farroupilha, Flores da Cunha, Garibaldi e São Marcos) que se concentra a maior parte - em torno de 90% - da produção vinícola nacional. São cerca de 600 estabelecimentos vinificadores e 15 mil unidades produtoras de uva, que ocupam algo em torno de 34 mil hectares de terras, responsáveis por uma média anual (observada ao longo de 1999 a 2004) de 330 milhões de litros comercializados.
Por sua representatividade no contexto nacional, o estado concentra igualmente as principais associações e instituições de pesquisa brasileiras sobre o assunto: União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra); Associação Brasileira de Enologia (ABE); Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e Embrapa Uva e Vinho.
Essa história de sucesso, no entanto, que se orienta pela busca constante do aprimoramento da qualidade em todos os aspectos da cadeia produtiva do vinho, ainda não alcançou, no mercado interno, um destaque à altura. Apesar da influência cultural dos imigrantes europeus, o brasileiro não se acostumou a cultivar o hábito de beber vinho, o que deixa nossa média de consumo em 1,8 litros per capita ao ano. Muito modesta, ainda mais se comparada a de países da Europa, ''com forte tradição no cultivo da videira e na elaboração de vinhos'', como esclarece a pesquisadora Loiva Maria Ribeiro de Mello, da Embrapa Uva e Vinho. ''O consumo per capita na França é de 57 litros'', informa, ''na Itália, de 53 litros e, em Portugal, de 47''. Mesmo em países vizinhos, a diferença é significativa. A Argentina registra o consumo de 32 litros por pessoa e o Uruguai, de 29 litros.
Por outro lado, a produção brasileira de vinhos finos, provenientes de uvas Vitis Viníferas, enfrenta a concorrência dos importados que, na onda da globalização, chegam com mais facilidade e em maior número de opções ao nosso país. De acordo com dados da Embrapa Uva e Vinho, os vinhos importados responderam, em 2004, por 62,26% do total consumido no mercado interno, registrando-se um aumento da importação, em relação ao ano anterior, da ordem de 34,59%.
Mas entusiasmo não falta ao setor que, de forma organizada e com ações planejadas para o curto, o médio e o longo prazo, respaldadas por institutos, associações e órgãos de governo relacionados, vem virando o jogo, tanto no mercado interno, quanto externo. No primeiro semestre deste ano, de acordo com o Ibravin, o vinho fino brasileiro já registrou presença em 12 países. Entre eles, os Estados Unidos, principal importador de vinhos brasileiros, e Alemanha, maior importador mundial de vinho em volume. Até 2025, em relação ao mercado interno, a expectativa do setor é de que o vinho também se torne cada vez mais presente na mesa do brasileiro, acompanhando as refeições do dia-a-dia e as muitas celebrações!


