Vamos para Olinda. É simplesmente imperdível o Carnaval de Olinda, distante somente sete quilômetros do Recife. A cidade histórica vive seus dias de glória. Ó-Linda, como falam os pernambucanos, é só folia com seus bonecos gigantes, seus blocos e troças, passistas de frevo, caboclinhos e maracatus. Quem vier vai se somar aos 2 milhões de pessoas que já estarão pulando pela cidade, atrás das mais de cem agremiações responsáveis pela festa.
Ladeira acima, ladeira abaixo, você pode preparar o fôlego, pois não se pára de brincar nem para respirar. Ninguém resiste ao Homem da Meia-Noite, boneco gigante símbolo do carnaval de Olinda, à Mulher do Dia, ao Barbapapa e tantos outros. Todo mundo sai atrás. Além deles, os Lanceiros de Maracatu Rural espalham seus sons de guizos e chocalhos pela multidão e iluminam a paisagem com o colorido de suas vestes. De supetão, o ritmo é quebrado pela turma dos Mascarados, num corre-corre seguido de gritos e risos.
Pelas ruas e ladeiras de Olinda esbarra-se com um ou mais, ou todos, os personagens mais famosos do Carnaval pernambucano, que já se transformaram em tipos populares por desfilarem ano após ano, como o Lorde de Olinda, que cumprimenta os visitantes com toda sua nobreza, o Jumento, que passa distribuindo coices e cheiros em quem estiver no caminho, os Papangus, que perseguem as crianças, as Torres da Sé, o Farol, o Coqueiro e tantos outros, que somados chegam a mais de 30 tribos.
Para se divertir com tudo isso, basta percorrer a Cidade Alta, encostar um pouco na Rua do Sol, na Praça do Carmo, na Praça de São Pedro, no Mercado Eufrásio Barbosa, ou no da Ribeira. Melhor que estes só os Quatro Cantos, maior ponto de concentração de pessoas por metro quadrado do carnaval pernambucano. Tudo que existe em matéria de Carnaval em Olinda passa nessa encruzilhada.
Homem vestido de mulher é o que mais tem. A concentração ‘delas’ é na praça 12 de Maio, onde uma comissão julgadora se encarrega de escolher e premiar as fantasias mais luxuosas, as mais originais, os grupos mais alegres, a ‘virgem mais simpática’, a mais sexy, a ‘mais sapeca’, a mais ‘malamada’, e outras categorias que a comissão cria na hora. Uma coisa é certa, o prêmio máximo vai para a ‘Virgem das Virgens’. A grande glória é daquela que se mostrar bem pura, que se exibir com toda a candura esperada de uma ‘donzela’. O difícil é escolher quem será a eleita, diante de tamanha farra e descaso dos participantes.
Não tem fimCom prêmio ou não, as ‘virgens’ são um dos grandes sucessos do Carnaval pernambucano. Nem parece que o bloco começou por acaso, há mais de 40 anos. Um grupo de amigos, que jogava pelada nos finais de tarde, resolveu usar roupas femininas para correr em campo quando fosse Carnaval. A brincadeira pegou e hoje as Virgens do Bairro Novo estão para o Carnaval de Olinda assim como o Galo da Madrugada está para o de Recife.
Ou seja, são adorados e seguidos por milhares de foliões. Enfim, Carnaval em Olinda é dormir quando o cansaço chega e acordar para pular de novo, sem se importar que seja manhã, tarde ou madrugada. E quando chega a ingrata Quarta Feira de Cinzas, pensa que tudo acabou? Ledo engano. A folia continua ainda com muito chão pela frente para frevar. De manhã tem o Bacalhau do Batata, uma troça formada por garçons que sai arrastando pela Sé aqueles com disposição para continuar a brincar, e são muitos, milhares.
O Bacalhau marca o início da despedida. Fim só depois que a troça Segura a Coisa vem se recolher, na madrugada da próxima sexta-feira. Até lá, os foliões podem ir atrás do Vassourão de Olinda, da Jaula, do Guarda Noturno, Sol de Verão, Eu Fraco?, o Bode e o Maluco Beleza. Depois disso tudo, durante o final de semana ainda explodem focos de animação aqui e ali.
Pernambuco é assim, o Carnaval demora a acabar. O folião não se entrega. Não quer parar de cantar, pular, dançar e amar. Pode até chorar, quando tudo chegar ao fim. Mas sempre abre um sorriso, quando lembra que no ano que vem tem mais.

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