Folia e fé
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Denise Ribeiro<br>Equipe da Folha 
Enquanto para os foliões que pularam o carnaval tradicional a quarta-feira de cinzas é dia de curar a ressaca, para outros é o fim de um período de instrospecção, de renovação ou do despertar da fé. Além da escola de samba evangélica Jesus Bom à Beça, o carnaval de Curitiba tem retiros e festas para quem prefere aproveitar o feriado para estreitar os laços com Deus.
O carnaval tem muito oba, oba, muito desgate físico. E no carnaval cristão você se alimenta espiritualmente para começar o ano fortalecido e para viver bem a Quaresma, compara Fabio Pontes Ferreira, de 27 anos. Integrante do movimento Renovação Carismática Católica (RCC), Fabio participa do Gabaon desde 2000. A festa tem oração, pregação, missa e baile animado por bandas cristãs. Como acontece com a maioria dos foliões carismáticos, Fabio foi ao Gabaon pela primeira vez a convite de um amigo e gostou. Muitos vão por causa do baile mas dali são fisgados por Jesus, conta o folião, que mudou sua idéia sobre diversão. Antigamente tinha que estar bêbado para pular carnaval. Agora consigo me alegrar com as pessoas sem ter bebida, afirma Fabio.
O Gabaon (nome de uma cidade citada na Bíblia em Josué, 10) é realizado desde 1990. De acordo com o coordenador da RCC, Celso Luiz Sangali, o encontro foi criado por um grupo de amigos que queriam divertir-se ao som de música cristã, longe de bebida alcóolica. Na primeira edição a festa reuniu cerca de 400 pessoas. A expectativa para este ano é manter o público de 8 mil participantes por dia, registrado na edição passada. São três dias de folia. A programação começa às 8 horas e segue até as 22 horas.
Realizado há mais de 30 anos, o retiro de carnaval da Primeira Igreja do Evangelho Quadrangular de Curitiba, é também uma opção para quem prefere aproveitar o feriado para renovar a fé. Os participantes, de 300 a 330 pessoas, passam quatro noites na chácara Esperança, em Quatro Barras, acompanhando uma programação que inclui palestras, oficinas de dança, teatro e artes, atividades esportivas e apresentações de grupos musicais. A gente dá muita liberdade para a atuação de Deus, para a busca pelo Espírito Santo. E é também uma oportunidade para fazer amigos, explica o pastor Josmar Prussak.
Guilherme Graciano Guiraud, de 16 anos, diz que mesmo antes de participar do retiro evitava o carnaval até pela televisão. Desligava a televisão e ficava em casa fazendo qualquer outra coisa, conta. Para Luiz Eduardo Zacchi, 23 anos, o retiro também é uma boa forma de se desconectar. Você fica longe de televisão, rádio, internet e celular. A gente esquece um pouco os problemas do mundo inteiro. Quem está indo lá é para buscar a Deus, justifica. Já segundo Emily Louise Picco, de 15 anos, é uma oportunidade também para fazer novos contatos. Conheci meu namorado através do acampamento de carnaval, revela Emily. O namorado foi apresentado a ela por uma amiga que Emily conheceu durante o retiro. Depois de um ano a gente começou a namorar, conta a garota.
Mas há também os que preferem levar sua mensagem para dentro da avenida, como os foliões da escola de samba evangélica Jesus Bom à Beça. O projeto, que começou como ações de evangelização nas praças e em festas populares, ganhou lugar no grupo A do carnaval de Curitiba. Acreditamos que é a melhor maneira de darmos a nossa contribuição. De lançarmos a rede, que é a Palavra de Deus, para pegarmos os peixes, que são os corações dos homens, explica o presidente da escola Alexandre José Monteiro. Mesmo usando figurinos mais comportados que o convencional para a ocasião, garante Monteiro, os integrantes da Jesus Bom à Beça não ficam devendo no quesito alegria. Tudo depende da criatividade. E se tem uma coisa que a nossa equipe tem é criatividade para tocar o coração das pessoas, enfatiza.


