A Folha Rural, um dos mais antigos produtos lançados pela Folha, é um suplemento agropecuário que circula aos sábados e trata dos mais diversos temas ligados à área. Em 29 anos de existência o caderno acompanhou e registrou a evolução da agropecuária paranaense e se tornou leitura obrigatória para um público que vai de pesquisadores a donas-de-casa, passando pelos pequenos e grandes produtores.
A Folha Rural começou a circular no dia 10 de dezembro de 1969, por iniciativa da Associação dos Engenheiros Agrônomos, em especial de Florindo Dalberto, membro da entidade e primeiro editor do caderno. Na época, era o segundo suplemento agrícola regular de um jornal no País (o primeiro foi o Suplemento Agrícola de ‘‘O Estado de S. Paulo’’).
Além de Florindo, atualmente presidente do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), a Folha Rural já foi editada por Renato Moreira, Oswaldo Petrin, Bety Fagundes, Aurélio Albano e Jota Oliveira, o atual editor. Embora tenha se voltado na maior parte do tempo a informações técnicas, o caderno sempre abriu espaço para reportagens que retratam a vida no campo e levantam questões ligadas ao meio rural.
Florindo lembra que a Folha Rural surgiu no momento em que o Paraná vivia uma etapa crucial da definição de rumos de sua agricultura. ‘‘Terminava a fase áurea do café e das suas culturas intercalares, conseguida às custas do desgaste quase irreversível da fertilidade natural dos solos. Ao mesmo tempo presenciava-se o surgimento daquilo que foi um processo de crescimento agrícola acelerado, baseado nas culturas de exportação, da mecanização intensiva, dos insumos industriais e às custas - ainda - de uma crescente degradação dos recursos naturais’’, escreveu Florindo em artigo publicado na edição comemorativa dos 25 anos do suplemento.Dorico da SilvaAs jornalistas Cláudia Barberato, Josiani Schulz e Cristina Côrtes integram o time da Folha Rural
O suplemento também deu sua contribuição na conquista de uma base tecnológica própria para o Paraná. Florindo lembra que o número 15 do suplemento, publicado em 4 de setembro de 1970 - dois anos antes do Iapar ser oficialmente instalado em Londrina - foi uma edição especial de 16 páginas sobre o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), que então completava 83 anos. ‘‘O objetivo foi motivar as lideranças e toda a sociedade a assumir a luta, até então restrita aos segmentos técnicos, para a implantação da pesquisa própria’’.
Florindo diz que para o Iapar a Folha Rural é parceira na difusão das tecnologias ali geradas, e lembra que o suplemento é responsável também pelo caminho inverso da pesquisa: o jornal ajuda a levar para dentro da instituição as demandas dos produtores, indicando a necessidade de redirecionamento e aprimoramento das pesquisas.
O atual editor da Folha Rural, Jota Oliveira, reforça o papel difusor do veículo. ‘‘Ele responde a dúvidas dos leitores sobre os mais variados aspectos da produção’’. Aurélio Albano, atual editor da Folha Economia e responsável pela edição da Folha Rural nos anos de 1990 e 91 (época em que o suplemento teve sua publicação suspensa, até abril de 93) acha que o suplemento mudou um pouco sua proposta, ao voltar a ser editado.
Segundo ele, o suplemento tornou-se um produto mais voltado para o produtor rural e mais aprofundado nos assuntos ligados à pesquisa agropecuária. Oswaldo Petrin, que editou o suplemento por aproximadamente 10 anos (ele está na Folha há 24 anos) e hoje é o editor de Agribusiness, lembra que na fase em que esteve à frente do caderno, o enfoque dos assuntos era mais político. ‘‘Entrevistávamos muitos bóias-frias, promovíamos debates sobre temas polêmicos como a reforma agrária’’.

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