Folha é avaliada como incentivadora
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 13 de novembro de 1998
Lúcio Flávio Moura Especial para a Folha 
Quase quatro anos após a entrada em vigor do tratado comercial que uniu Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, Foz do Iguaçu se prepara para ser a cidade-símbolo do Mercosul. A mais importante cidade brasileira de fronteira resume as potencialidades e os desafios do bloco. Para lideranças de vários setores do município e da chamada Tríplice Fronteira, a Folha do Paraná/Folha de Londrina pode exercer papel fundamental em conquistas estratégicas para a região.
Com meio século de existência, a Folha é referência por produzir um jornal que, com credibilidade enxerga o Estado como um todo e que se preocupa com as causas de cada comunidade que é objeto de sua cobertura, destaca o prefeito de Foz do Iguaçu, Harry Daijó (PPB), 49 anos. Para o prefeito, a informação é combustível para a sonhada integração entre os povos que fazem parte do Mercosul.
Para representantes do ecoturismo e do turismo de compras, a Folha pode liderar campanhas que ajudem a comunidade a vencer problemas que afetam a imagem e a auto-estima da região. Para que nossa realidade se transforme com maior rapidez é necessário que a Folha continue mostrando os problemas da fronteira e apontando soluções, acredita Charif Hammoud, 43 anos, proprietário da Monalisa - a mais sofisticada loja de departamentos de Ciudad del Este, no Paraguai - e presidente do Centro de Importadores e Comerciantes de Alto Paraná (Cicap).
A Folha tem o poder de propagar, em regiões importantes do Brasil, os esforços das comunidades de fronteira em melhorar sua imagem e sua qualidade de vida, diz Hammoud, que ajuda projetos de melhoria no tráfego, na segurança e na limpeza pública de Ciudad del Este, uma cidade-shopping que fatura, anualmente, US$ 3 bilhões.
O empresário libanês naturalizado paraguaio pode ser considerado um paladino da luta contra a produção e a comercialização de produtos falsificados em território paraguaio. Para Hammoud, o importante é que a Folha e outros jornais usem o mesmo critério para noticiar o fenômeno da pirataria e os esforços para combatê-lo.
A Folha também pode se tornar um veículo da causa da proteção ambiental, bandeira importante numa região que possui as Cataratas do Iguaçu - uma das mais deslumbrantes paisagens do mundo, três parques nacionais e que sofreu uma profunda mudança em seu ecossistema depois da formação do Lago de Itaipu.
A imprensa pode ajudar na formação de uma consciência preservacionista na população, incentivando a criação e a atuação de associações de amigos de parques e praças, diz Júlio Gonchorosky, diretor do Parque Nacional do Iguaçu. Para ele, a experiência dos outros países do Mercosul na área, mostra que os veículos de comunicação brasileiros têm muito a aprender com os vizinhos. A campanha do Clarin (maior jornal de Buenos Aires) para a proibição dos vôos de helicópteros nas Cataratas é exemplar. Gonchoronky lembra que, neste caso, não está levando em consideração a pertinência da campanha. O que vale é a vontade de influir nas questões importantes, opina.


