Muitas unidades de conservação são desconhecidas até mesmo da comunidade dos municípios onde estão situadas. A bióloga Tatiana Reis explica que esse ''fenômeno'' ocorre na Floresta Estadual Metropolitana, em Piraquara. ''Muita gente que mora em Piraquara não sabe que essa floresta existe. Alguns até conhecem, mas não valorizam'', explica a bióloga, que desenvolve um trabalho na unidade.
Dionísio Janhaki, gerente da floresta, acredita que o local poderia ser melhor aproveitado pela população. ''Principalmente pelas escolas. É um bom espaço para aprendizado ambiental'', argumenta. Criada em 1988, a unidade reúne remanescentes de floresta ombrófila mista (floresta com araucária), floresta ombrófila densa (característica da Mata Atlântica) e campos edáficos, esta última um tipo de vegetação outrora abundante na região, mas hoje restrita a poucas áreas.
A Floresta Estadual Metropolitana sofre com um problema comum em unidades de conservação: a presença de espécies exóticas. De acordo com Janhaki, aproximadamente metade da floresta está tomada por espécies não nativas, como eucaliptos e pinus, levadas ao local pela Rede Ferroviária Federal (antiga proprietária da área), que utilizava o espaço para reflorestamento, com o objetivo de abastecer as máquinas e fazer dormentes. Existe a intenção de erradicar as espécies invasoras, mas ainda não há previsão de quando e como isso será feito.
Outro problema: a falta de consciência da população. A Floresta Estadual Metropolitana está localizada entre duas vilas de Piraquara, e já foi alvo de despejos de lixo e incêndios. ''Além disso, tem gente que rouba pedaços de cerca para vender o ferro'', lamenta Janhaki. No Parque Estadual de Campinhos, já foram flagrados caçadores que estavam atrás de pacas. ''As pessoas precisam de educação ambiental'', aponta Janhaki. (F.G.)

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